Levantamento indica alta taxa de golpes virtuais no DF

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Por Vítor Ventura
redacao@grupojbr.com

A produtora Ana Pereira, de 38 anos, estava a caminho do Aeroporto de Brasília quando recebeu um chamado do escritório de advocacia que a representava. O que parecia um contato normal, na verdade era uma tentativa de golpe do falso advogado, uma das muitas fraudes virtuais que a população do Distrito Federal precisa estar atenta. Um levantamento da Serasa Experian indica que o DF foi a unidade da federação que apresentou a maior taxa de tentativas de fraudes e golpes digitais em abril de 2025, com 7.759 ocorrências por milhão de habitantes. 

Ana conta que por sorte conseguiu identificar a tentativa de golpe. Nesse tipo de fraude, criminosos se passam por advogados para extorquir dinheiro e dados pessoais de vítimas. “Os golpistas fraudaram o WhatsApp e a documentação de um escritório de Belo Horizonte que me representa numa causa. Me enviaram um pedido de vistas em um documento que tinha o mesmo padrão do escritório, número da OAB do advogado e etc. Eles me pediram para ler e comunicaram que o advogado iria entrar em contato”, relata a produtora.

Na sequência, ela conta que um homem a ligou por chamada de vídeo, pediu dados pessoais para confirmação e a orientou a acessar a conta bancária dela para verificar uma transação. No momento em que ela estava pronta para fazer o que tinha sido pedido, a ligação caiu. “Quando eu retornei o telefonema ao escritório real, descobri que era um golpe”, diz Ana. A produtora explica que estava distraída por causa da correria no aeroporto e não percebeu o risco do golpe na hora. “O documento que enviaram descrevia todo meu processo e tinha a logo do escritório. Realmente é uma fraude bem pensada”, conta.

Segundo levantamento publicado pela Ordem dos Advogados do Brasil em abril, foram feitas 84 denúncias dessa fraude no DF desde janeiro de 2025. Esse é um dos muitos golpes virtuais que têm acontecido na capital. No ano passado, de acordo com dados da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), foram registrados 18.572 golpes aplicados por estelionatários virtuais ao longo do ano. O número significa que um golpe era tentado a cada 28 minutos. O estelionato virtual representou 69,6% de todos os crimes virtuais registrados no DF no em 2024.

Incidência entre os mais jovens

Conforme aponta o relatório publicado pela Serasa Experian, as fraudes digitais tiveram um crescimento entre jovens. O indicador de abril de 2025 revela que, no Brasil, as tentativas de golpes virtuais cresceram 50% entre pessoas de até 25 anos em comparação com o mesmo período no ano passado.

A universitária Geovanna Macedo, moradora de Samambaia de 22 anos, também foi vítima de um golpe ao comprar um ingresso pela internet. “O golpista anunciou no dia 9 de maio a venda de um ingresso para o evento Funn Festival que aconteceria naquele mesmo dia. Entrei em contato pelo instagram, ele me seguiu e eu o segui, olhei todo o perfil, empresa que trabalhava, pessoas que comentavam as publicações, tudo dentro da normalidade”, relata Geovanna.

Ela conta que enviou um Pix com metade do valor do ingresso para o criminoso, que deveria enviá-lo para ela então depositar o valor restante. No entanto, ele mandou uma nova chave Pix e disse que era da empresa dele. “Como tudo parecia certo e confiável, fiz [o pagamento] e ele não me respondeu mais. Algum tempo depois comecei a ligar e vi que ele havia me bloqueado”, diz a universitária. Geovanna explica que o prejuízo financeiro não foi muito alto, cerca de R$ 50, entretanto a dor de cabeça para recuperar o dinheiro foi grande.

Cuidado na internet

A Serasa Experian reforça cuidados que as pessoas devem ter para identificar e evitar golpes na internet. O primeiro deles é garantir que documentos, celulares e cartões estejam seguros e com senhas fortes para acesso aos aplicativos. É importante também desconfiar de ofertas de produtos e serviços, como viagens, com preços muito abaixo do mercado. Nesses momentos, é comum que os golpistas usem nomes de lojas conhecidas para tentar invadir o aparelho. Eles se valem de e-mails, SMS e réplicas de sites para tentar coletar informações e dados de cartão de crédito, senhas e informações pessoais do comprador.

A PCDF alerta para os golpes e fraudes virtuais mais comuns no DF. Entre eles, o golpe do motoboy de banco, no qual a vítima recebe uma ligação supostamente da área de segurança do banco e é questionada sobre uma compra realizada com seu cartão de crédito. Ao negar a compra, a pessoa na ligação explica que um funcionário da agência irá comparecer à residência da vítima para pegar o cartão de crédito cancelado e também uma declaração de não reconhecimento de compra. Na posse do cartão, o criminoso realiza saques e diversas compras em nome da vítima.

Outra fraude recorrente é a do perfil falso do WhatsApp. Os criminosos vinculam a foto da vítima, normalmente retirada do próprio aplicativo ou de redes sociais, a um número telefônico. Se passando por ela, eles solicitam dinheiro e/ou outras vantagens para os conhecidos da vítima. Em caso de golpe ou fraude virtual, é possível utilizar a Delegacia Eletrônica da PCDF ou fazer uma denúncia através do telefone 197.


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