ISA tenta mudar vagas olímpicas e reduzir peso da WSL para LA-28

GUILHERME DORINI
UOL/FOLHAPRESS

A International Surfing Association (ISA) tenta emplacar mudanças nos critérios de classificação do surfe para os Jogos Olímpicos de Los Angeles 2028, em um movimento que pode reduzir o peso do Circuito Mundial (CT), da WSL, no processo olímpico.

A informação foi divulgada inicialmente pela AOS Mídia e confirmada pelo UOL. Segundo apuração, o pacote de alterações foi apresentado diretamente ao Comitê Olímpico Internacional (COI), enquanto as confederações nacionais já foram comunicadas sobre a proposta. As mudanças ainda estão em discussão e não há confirmação oficial de aprovação.

A PROPOSTA

Entre os principais pontos está a redução do número de atletas classificados via ranking do Circuito Mundial. Em Paris 2024, eram elegíveis dez homens e oito mulheres pelo ranking da WSL, respeitando o limite máximo de dois atletas por país em cada gênero.

A proposta debatida reduziria esse número para cinco atletas por gênero, com limite de apenas um representante por país, tanto no masculino quanto no feminino. Na prática, isso diminuiria de forma significativa a influência direta do CT na corrida olímpica.

Com a possível redistribuição dessas vagas, o ISA Games ganharia peso maior na definição dos classificados para Los Angeles 2028, assim como eventos continentais organizados sob a chancela da entidade, como Jogos Pan-Americanos, Europeus e Asiáticos.

Outro ponto em análise envolve o momento do ranking considerado. Atualmente, utiliza-se o ranking da temporada anterior aos Jogos. A ideia discutida seria adotar o ranking do próprio ano olímpico, após as quatro primeiras etapas do Circuito Mundial.

BASTIDORES

Segundo apuração do UOL, a proposta desagrada os atletas da elite mundial. Nos bastidores, o entendimento é que o novo modelo pode tornar a corrida olímpica menos justa, mais refém de circunstâncias pontuais do que da regularidade e do mérito construídos ao longo de uma temporada inteira.

Diferentemente do sistema atual, baseado em um ano inteiro de competição no CT, a definição por meio de eventos pontuais da ISA aumentaria o grau de imprevisibilidade em um esporte já naturalmente sujeito às condições do mar.

Há também preocupação em relação ao recorte das quatro primeiras etapas do CT. Se mantido o calendário previsto para 2026, três dessas provas ocorreriam em ondas para a direita, o que poderia favorecer atletas regulares —aqueles que surfam com o pé direito atrás da prancha —, reduzir o peso de um desempenho consistente ao longo de toda a temporada e, consequentemente, em mais ondas para a esquerda.

Por ora, as conversas seguem em estágio preliminar. Mas, se a ISA conseguir aprovar as alterações junto ao COI, o caminho rumo a Los Angeles 2028 poderá ser significativamente diferente do modelo adotado nas últimas edições olímpicas.

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