Novos vídeos mostram drogas, álcool e violência em “Clube da Luta” no Lago Sul

Por Gabriel Resende e Isabele Mendes
redacao@grupojbr.com

As chamadas “regras do Clube da Luta” ficaram conhecidas mundialmente a partir do filme Clube da Luta, dirigido por David Fincher. Na história, um grupo de homens se reúne para confrontos físicos clandestinos, seguindo códigos próprios que, na ficção, funcionam como uma crítica à sociedade, à masculinidade e ao comportamento de consumo.

A primeira regra é não falar sobre o Clube da Luta. A segunda regra é NÃO falar sobre o Clube da Luta.

Na prática, porém, a realidade observada no Lago Sul, em Brasília, está longe de qualquer controle ou reflexão proposta pela obra.

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Material obtido pelo Jornal de Brasília

Novos vídeos obtidos com exclusividade pelo Jornal de Brasília mostram adolescentes entre 15 e 19 anos envolvidos em lutas clandestinas marcadas por consumo de álcool, drogas e uma escalada de violência sem qualquer tipo de supervisão.

As imagens revelam um ambiente nocivo: plateia incentivando agressões, uso de maconha, cigarros eletrônicos e bebidas alcoólicas. Sem regras claras, sem proteção e sem estrutura mínima de segurança, os confrontos se assemelham a verdadeiras rinhas humanas.

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Material obtido pelo Jornal de Brasília

Além das brigas, a apuração do Jornal de Brasília aponta que os próprios adolescentes promoviam os confrontos nas redes sociais. As lutas eram divulgadas com informações como peso, altura e suposta experiência em combate.

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Material obtido pelo Jornal de Brasília

Também há relatos de cobrança de ingressos para participação e acesso ao evento, com valores de R$ 30 para homens e R$ 25 para mulheres.

Em um dos trechos mais assustadores, um espectador grita para que um dos lutadores aplique um “bate-estaca”, golpe considerado de altíssimo risco. Especialistas alertam que a manobra pode causar lesões graves na coluna, com possibilidade de danos permanentes. A técnica, inclusive, é proibida em diversos campeonatos de jiu-jítsu justamente pelo potencial de causar sequelas irreversíveis.

O caso foi revelado com exclusividade pelo Jornal de Brasília no último sábado (18). A luta mais recente ocorreu no mesmo dia, em uma casa localizada na QI 17 do Lago Sul.

Conselho Tutelar

O caso passou a ser acompanhado pelo Conselho Tutelar do Distrito Federal, que deve apurar a possível participação ou incentivo de adultos nas atividades. Medidas previstas no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) podem ser aplicadas. Até o momento, o Conselho Tutelar do Lago Sul ainda não recebeu nenhuma notificação sobre o caso.

Apesar da repercussão, a Polícia Civil do Distrito Federal não quis se manifestar sobre a investigação. Ainda assim, policiais estiveram no local após denúncias.

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