Santuário Dom Bosco demorou 7 anos para ser construído; “luz azul domina o ambiente”, diz professora
Por Mariana Mazzaro e Agatha Pires
Neste domingo, quem acompanhar uma missa ou simplesmente visitar o Santuário Dom Bosco, na Asa Sul, estará diante de uma obra prima da arquitetura moderna dedicada ao padroeiro da cidade. O local, ambiente de fé e arte, começou a ser construído em 1963 e foi inaugurado em 1970
Projetado por Carlos Alberto Naves, o templo é famoso pelos seus 2,2 mil m² de vitrais em 12 tons de azul, simbolizando o céu estrelado e o sonho profético de Dom Bosco em 1883.
A construção teve iniciativa da Congregação Salesiana. Carlos Alberto Naves projetou o templo com 80 colunas de concreto de 16 metros de altura.
Artes visuais
Em entrevista à Agência Ceub, a professora de artes Catina Garbis, de 51 anos, comenta sobre as percepções artísticas e visuais do santuário, ressaltando pontos de destaque da igreja.
“Na Igreja Dom Bosco, a luz do sol entra pelos vitrais azuis e preenche todo o espaço. Isso faz com que tenhamos a sensação de que o concreto desaparece na nossa percepção, porque a luz azul domina o ambiente”, afirma a professora.
Além da visão sobre a luz de fora para dentro do santuário, a artista educadora mostra a questão do lustre, onde é um pontos cruciais a serem mostrados.
“O lustre da Igreja Dom Bosco funciona como uma luz artificial que complementa a luz natural dos vitrais durante o dia.
Os 2,2 mil m² de vitrais projetados foram do artista belga Hubert Van Doorne, que criam um ambiente azulado e estrelado. O lustre central presente na arquitetura do local apresenta de 3,5 metros de altura, composto por 7.400 peças de vidro murano, simboliza Jesus.
Diferente do santuário, a Ermida Dom Bosco é uma pequena capela em forma de pirâmide, projetada por Oscar Niemeyer em 1957, localizada às margens do Lago Paranoá.
O Santuário Dom Bosco é considerado uma das sete maravilhas do patrimônio cultural de Brasília.
Profecia
A profecia atribuída ao santo italiano São João Bosco em 30 de agosto de 1883, descreveu a construção de uma “terra prometida” rica. Era situada entre os paralelos 15º e 20º na América do Sul, local que corresponde exatamente à região onde Brasília foi inaugurada, 77 anos depois.
Dom Bosco viajava pela América do Sul e ao chegar a uma região montanhosa e com um lago, um anjo lhe mostrava que ali apareceria “uma riqueza inconcebível”.
Devido a essa profecia, Dom Bosco é considerado o padroeiro de Brasília, ao lado de Nossa Senhora Aparecida.
Arquitetura
Os vitrais nunca passaram por restauração. Cerca de 20% dos vitrais estão danificados. Recentemente a igreja iniciou uma campanha de arrecadação de fundos para a restauração completa dos vitrais.
Portas de ferro e bronze, divididas em três conjuntos de quatro, tem momentos da vida de Dom Bosco gravados em baixo-relevo nas laterais e uma representação do sonho profético com Brasília na fachada frontal.
As portas e o painel em bronze na pia batismal e a pintura em acrílico no sacrário foram feitas pelo artista Gianfrancesco Cerri. O altar é feito por uma peça única de mármore. As estátuas de Dom Bosco e de Nossa Senhora Auxiliadora são de mármore de carrara. Já a cruz do altar foi esculpida pelo Gotfredo Tralli em uma única peça de cedro.
O que também chama a atenção de muitos fiéis e visitantes é o lustre central, que é ligado somente em cerimônias ou por pouco tempo, sob apagamento.
Ele pesa duas toneladas e mede três metros e meio de altura, sendo formado por 7.400 peças de vidro de murano, simbolizando Jesus Cristo como “a luz do mundo”, o lustre foi criado pelo arquiteto Alvimar Moreira.
Quando o sol não está tão forte, ele ajuda a manter o ambiente iluminado e continua criando a mesma sensação de brilho”, disse a professora.
Sob supervisão de Luiz Claudio Ferreira