Assassino de empresário no SOF Norte já tentou invadir o STF
Preso em flagrante pelo assassinato de Flávio Cruz Barbosa, 49 anos, na última quarta-feira (6), Eduardo Jesus Rodrigues já havia sido detido por uma tentativa de invasão ao palácio do Supremo Tribunal Federal (STF). Naquela ocasião, conforme o boletim de ocorrência e o termo circunstanciado, aos quais o Jornal de Brasília teve acesso, funcionários da portaria do órgão abordaram Rodrigues e chamaram a Polícia Militar (PMDF). Na revista, os agentes encontraram uma faca de açougueiro de 40 cm alocada numa bagagem térmica, típica de motoboys.
O homem alegou que trabalhava com entregas e usava o artefato como precaução. Disse, ainda, que apenas queria conversar com um dos ministros do tribunal para resolver “pendências judiciais”, pois acreditava que um dos magistrados “seria responsável direto por comandar o país”. Na ocorrência, os policiais declararam achar “sinais evidentes de possível transtorno psicológico”. A conduta de Eduardo foi enquadrada como “contravenção penal”, considerado o “porte de arma branca”.
Em manifestação no processo gerado pela prisão, o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) pleiteou o arquivamento do caso pois, apesar de ser apreendido com uma faca, “não se vislumbra que a estivesse usando como instrumento de ataque ou de defesa”. A promotoria também elencou o depoimento do policial militar sobre o possível estado psicológico do homem. O magistrado Pedro Neto, do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT), acolheu a manifestação e arquivou o caso em 19 de março deste ano.
41 facadas
De acordo com o próprio TJDFT, Eduardo Jesus Rodrigues também responde por tráfico de drogas, motivo que pesou para a decretação da prisão preventiva em 7 de maio. No dia anterior, Rodrigues atacou Flávio Cruz Barbosa com 41 facadas, sendo 33 na região dorsal – ou seja, pelas costas – e alegou “vingança” contra o empresário, dono da oficina automotiva onde o acusado também trabalhava. O crime foi cometido no próprio estabelecimento, que fica no Setor de Oficinas Norte (SOF Norte). Para o magistrado que converteu a prisão em flagrante em preventiva, o ataque, feito à luz do dia, demonstrou “audácia e destemor”.