BC descarta risco ao sistema financeiro em crise do BRB, mas vê impacto na economia do DF
NATHÁLIA GARCIA
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS)
A crise do BRB (Banco de Brasília) não representa um risco à estabilidade do sistema financeiro nacional, segundo a área técnica do Banco Central. No entanto, a avaliação interna é que uma eventual quebra da instituição após prejuízos com o Banco Master pode provocar um grande impacto na economia do Distrito Federal.
O BRB tenta viabilizar até o dia 29 de maio o plano de socorro da instituição após operações fraudulentas com o conglomerado de Daniel Vorcaro, mas esbarra na condição financeira do governo do Distrito Federal –acionista controlador do banco.
A situação do BRB foi discutida nesta quarta-feira (13) pela senadora Leila Barros (PDT-DF) e o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo. No encontro, ela contou ter enfatizado a importância do banco estatal para o funcionamento da economia local.
“O BRB não é apenas um banco, ele tem um papel central no pagamento dos servidores, no crédito imobiliário, no apoio a pequenos negócios, em programas sociais, enfim, no desenvolvimento econômico e social da nossa cidade”, disse.
“Reforcei ao presidente que qualquer solução precisa priorizar a proteção desses trabalhadores, a continuidade das operações e, é claro, a segurança e a estabilidade do banco”, acrescentou.
De acordo com a senadora, Galípolo reconheceu a relevância institucional da instituição financeira e manifestou preocupação com a situação dos trabalhadores.
Sem os recursos necessários em caixa para colocar dinheiro no BRB, o governo distrital recorre a um processo de captação. O Distrito Federal não tem hoje capacidade de pagamento para receber garantia do Tesouro Nacional. Isso daria condições mais benéficas para o empréstimo, como uma taxa de juros menor.
A governadora Celina Leão (PP) pediu ajuda à gestão Lula (PT) para destravar o empréstimo, mas até o momento não obteve sinal positivo. Em ofício, ela solicitou aval do Tesouro para a concessão da garantia da União à operação de crédito negociada com o FGC (Fundo Garantidor de Créditos), no valor de R$ 6,6 bilhões.
Essa alternativa é considerada o plano A do BRB, mas não é a única solução em debate. A governadora do Distrito Federal, que pertence a um campo político adversário do PT, solicitou uma audiência com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para discutir o assunto. Até o momento, contudo, ainda não há previsão de encontro.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou em entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura, que só cogitaria usar recursos públicos para resolver o problema em caso de risco sistêmico, ou seja, se houver a avaliação de que a quebra do banco possa provocar um efeito dominó sobre todo o sistema financeiro nacional.
O BRB, contudo, é um banco que integra o segmento S3 da regulação prudencial, lembram técnicos do BC. Ou seja, é uma instituição de porte médio, com ativos que respondem de 0,1% a 1% do PIB (Produto Interno Bruto). Isso significa que ele tem um peso menor sobre a estabilidade do sistema.
O papel do BRB para o funcionamento da economia do Distrito Federal também foi o argumento utilizado pelo presidente do banco, Nelson Antônio de Souza, para defender, em março, a aprovação do projeto de lei desenhado pelo governo de Ibaneis Rocha (MDB).
Na ocasião, Souza enfatizou aos deputados distritais que, sem o aval à proposta, haveria imediata interrupção de transferência de renda dos programas sociais operados pelo banco, paralisação do sistema de bilhetes do transporte público do DF, suspensão de operações de crédito imobiliário, além de interrupção de operações de crédito para produtores rurais, micro e pequenas empresas e para servidores do governo do Distrito Federal.