Governadora confirma aporte de R$ 4 bilhões no BRB
A governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), afirmou que o Banco de Brasília (BRB) vai receber um aporte de R$4 bilhões da Quadra Capital. No entanto, a governadora não detalhou o prazo para repasse do valor.
Em abril, o BRB já havia anunciado o acordo com a gestora financeira. O valor da operação é avaliado em R$15 bilhões — sendo R$4 bilhões à vista e o restante pago em cotas subordinadas de um fundo de investimentos. O memorando assinado com a Quadra Capital serve para estruturar um fundo de investimento pelo qual irá vender ativos que a instituição estatal adquiriu em operações com o Banco Master.
Apesar de parecer um sinal positivo para a situação complicada que o BRB passa, o procedimento ainda causa incerteza, avalia o economista e professor da Universidade de Brasília (UnB) César Bergo. Isso porque, trata-se de uma operação de securitização. Basicamente, a gestora precisa encontrar no mercado investidores interessados em comprar os títulos negociados com o Master e esse processo leva um tempo.
“Existe também uma questão que não ficou clara com relação ao contrato com a Quadra, de que ela vai fazer os melhores esforços. Ela não vai ter obrigação de vender. O que a gente chama no mercado de capitais de best efforts. Tem que ver como esses 4 bilhões vão entrar”, explica Bergo.
O BRB tem uma carteira de R$ 21,9 bilhões em ativos que eram do Banco Master. O banco já estava negociando a venda de R$ 1,9 bilhão e ainda tinha R$ 20 bilhões disponíveis. Desses ativos restantes, a Quadra fez uma proposta para comprar a carteira por R$ 15 bilhões.
Negativas da União
Uma das outras alternativas para conter a crise de liquidez, é a tentativa de um empréstimo de R$ 6,6 bilhões vindo do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) para cobrir o rombo deixado após as transações fraudulentas. Celina tem esperado um aval da União para que as tratativas com a entidade avancem. No entanto, o Governo Federal não se mostrou muito interessado em intermediar a situação.
Nos últimos meses, a governadora já se encontrou com o ministro da Fazenda, Dario Durigan, e com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo. Agora, a mandatária concentra esforços para conseguir uma agenda presencial com o presidente Lula (PT).
Durante a posse no GDF, em março, Celina chegou a declarar que, apesar de uma posição ideológica contrária à da atual presidência, teria “humildade suficiente” para recorrer ao presidente. Apesar da intensa articulação, a União não se mostrou disposta a ajudar na recomposição do banco. Em recente entrevista, o ministro Dario Durigan atribuiu a responsabilidade da crise ao GDF e reforçou que não há viabilidade de usar dinheiro público para cobrir o rombo.
“O problema do BRB é um problema do GDF, eu não estou dizendo que a União em algum momento não pode entrar, mas é um problema do GDF, a gente não pode esquecer disso. O BRB fez algumas operações que estão nos jornais, que são operações que quebraram o banco. A responsabilidade é do GDF, gente, nós não podemos botar isso em questão”, declarou na época.
O economista César Bergo analisa que há duas razões para as negativas. A primeira, deve-se à natureza da irregularidade. “É uma fraude. Parece que a União não quer entrar nessa seara”, argumenta. O segundo motivo está relacionado à situação desfavorável de reputação do GDF. “O Fundo Garantidor de Crédito exigiu garantia. Ou seja, o que o GDF apresentou não foi suficiente para conceder o crédito”, acrescenta.
Prazo apertado
Enquanto isso, o prazo para o BRB apresentar seu balanço se aproxima cada vez mais. Previsto para ser entregue no dia 29 de maio, a instituição corre contra o tempo para publicar as contas do terceiro e quarto trimestre de 2025 e do primeiro trimestre de 2026 e não sofrer penalidades do Banco Central por atrasos. Em assembleia geral no dia 22 de abril, o banco aprovou a possibilidade de emissão de ações de até R$ 8,8 bilhões para reforçar o capital, porém, o valor ainda não entrou no caixa.
“Essa demora é até justificável. Provavelmente, o patrimônio do banco está descoberto.
Isso significa que a empresa está quebrada. Se não houver o aporte decidido em assembleia de 8,8 bilhões de reais, esse valor não foi tirado da cartola. É um valor que, obviamente, deve estar dentro do balanço e que precisa ser colocado no capital para buscar o equilíbrio”, sustenta o economista.
O professor ainda pondera que a tendência é o BC tomar uma decisão sobre o banco nos próximos dias caso não seja apresentada uma solução. Para ele, só há três caminhos possíveis: estender o prazo para resolver a questão financeira do BRB, intervenção ou liquidação.
“Primeiro é dar um prazo ainda para resolver, dependendo do que o GDF e o BRB alegarem. Segundo, que eu acho mais provável, é a intervenção, nomear um interventor. E terceiro seria a liquidação, que eu acho que ainda está um pouco distante dessa decisão”, explica.