Moradores do DF mantém projeto social há mais de 30 anos em Luziânia e buscam apoio

Por Guilherme Abarno

Há mais de três décadas, os fins de semana no Jardim Ingá, em Luziânia, no estado de Goiás, são transformados pela atuação de voluntários do Distrito Federal, que oferecem atendimento odontológico gratuito, atividades culturais e educativas e alimentação a moradores da comunidade.

O projeto “Grupo Renascer”, uma organização da sociedade civil (OSC) sem fins lucrativos, atua desde 1993 na periferia de Luziânia, prestando serviços de interesse público. A iniciativa foi criada por Maria Lucirene de Sousa, de 81 anos, após a morte do filho, de 14, que sonhava em ver o espaço onde hoje funciona o projeto transformado em um campo de futebol.

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Foto: Guilherme Abarno

A fundadora coordena o projeto, que atende mais de 100 beneficiados, ao lado da assistente social Patrícia Verena, 54 anos, e do dentista Rogério de Almeida, 56. O dentista Ney Ferreira, 55, também faz parte do grupo desde o início. Todos são do Distrito Federal.

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Foto: Guilherme Abarno

“O nosso propósito aqui é amplo, porque não se trata apenas de assistência social básica. Nós oferecemos atendimento odontológico, reforço escolar e oficinas, além do básico. Mas o que buscamos mesmo é dar oportunidade de vida, ampliar a visão de mundo e preparar as pessoas para o que existe fora daqui”, conta Patrícia.

A atual líder do Grupo Renascer destaca as dificuldades enfrentadas, especialmente após a morte de antigos apoiadores e contemporâneos de Maria Lucirene, além da falta de apoio do poder público de Luziânia.

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Foto: Guilherme Abarno

“Luziânia está a cerca de 20 km de mim e, ao mesmo tempo, a 50 km de Brasília. A gente está, de certa forma, no meio de tudo e de nada. Há muitas dificuldades. Falta água, esgoto e asfalto. Quando você chega aqui, passa por uma única rua asfaltada, o restante são vias de terra, cheias de buracos. Isso mostra o quanto a região ainda é desassistida, mesmo sendo próxima de uma cidade grande e de Brasília”, relata.

Com sede em uma chácara, o espaço dispõe de salas para atendimentos odontológicos e outras atividades, além de área verde, um campo de futebol e um espaço no andar inferior destinado a crianças e adolescentes. O Grupo Renascer busca apoio para viabilizar novos projetos. Recentemente, funcionários do Banco Santander contribuíram com a construção de uma brinquedoteca.[FOTO CHÁCARA]

30 anos ajudando

Entre a rotina no consultório na Asa Sul e o deslocamento de mais de 45 km até o Jardim Ingá, o dentista Ney mantém, há mais de 30 anos, a atuação voluntária que o leva de Águas Claras à periferia de Luziânia. Para ele, o que sustenta a continuidade do trabalho é poder aliviar a dor das pessoas sem auxílio odontológico.

“Comecei a ir para o Renascer no início de 1996. Era um trabalho que eu já tinha muita vontade de fazer. E isso tem uma carga emocional muito forte. É difícil pensar que alguém esteja com dor, seja no sorriso ou uma dor física mesmo, emocional ou física. E eu sei que posso estar lá para ajudar. O que me motiva é isso, poder devolver paz, tranquilidade. Fazer com que a pessoa consiga voltar para a rotina, trabalhar no dia seguinte sem a dor. Ver a pessoa bem… é isso que importa. Dor ninguém merece”, disse.

“Aqui eu me sinto em casa”

A fundadora Maria Lucirene mora sozinha no Asa Sul e percorre quase 50 minutos de viagem aos fins de semana para atuar no projeto. Ao lado de outros idosos, participa de atividades como leitura de livros e rodas de conversa.

Após mais de três décadas, ela diz se sentir mais em casa na chácara do Grupo Renascer do que em sua própria residência. O espaço foi adquirido para realizar o sonho que tinha para seu único filho, que morreu em 1990, em um acidente de trânsito envolvendo o transporte escolar.

“Hoje eu já estou trabalhando com menos intensidade, porque o trabalho que eles fazem agora, eu fazia praticamente sozinha durante muito tempo. O motivo da fundação vem de uma ideia antiga. Eu queria comprar esse terreno para fazer uma quadra de esportes para o meu filho. Ele era escoteiro e vinha acampar aqui com os amigos, ainda crianças. Eu sempre tive o desejo de transformar esse espaço em um campo de futebol ou uma área esportiva para eles. Mas isso não aconteceu. Mesmo assim, a ideia de comprar o terreno e dar um destino a ele sempre me manteve aqui”, explica.

Mais informações e formas de apoio podem ser obtidas no Instagram @renascer.grupo. 

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