Corinthians teve proposta recusada por email antes do quarto transfer ban
FÁBIO LÁZARO
SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS)
Antes de registrar o quarto transfer ban, nesta terça-feira, o Corinthians teve tentativas frustradas de negociar com o Midtjylland, da Dinamarca, a dívida de 1,1 milhão de euros (cerca de R$ 7 milhões, na cotação atual) referente ao não pagamento da terceira parcela da contratação do volante Charles, em 2024, durante a gestão do ex-presidente Augusto Melo.
O UOL apurou que a diretoria corintiana procurou representantes do clube dinamarquês em meados de maio, logo após a condenação imposta pela Corte Arbitral do Esporte (CAS), última instância para esse tipo de disputa, que determinou o pagamento da quantia.
Na ocasião, o UOL revelou que as primeiras tentativas de contato haviam sido ignoradas pelo Midtjylland. A reportagem apurou agora novos detalhes sobre a negociação frustrada.
PROPOSTA RECUSADA
Representantes do Midtjylland informaram ao Corinthians que qualquer proposta de renegociação deveria ser encaminhada exclusivamente por email. O departamento jurídico do Timão enviou uma proposta para discutir a forma de pagamento da dívida.
O UOL apurou que a resposta dos dinamarqueses foi direta e sem abertura para negociação: apenas um “não aceito”. Na sequência, a diretoria corintiana voltou a pedir uma conversa com representantes do Midtjylland para discutir condições de pagamento. O novo contato, porém, não recebeu resposta
Sem recursos para quitar o valor à vista, o Corinthians decidiu não insistir nas tratativas. O cenário financeiro se agravou dias depois, em 21 de maio, quando o clube sofreu a execução do transfer ban relacionado à dívida com o Philadelphia Union, dos Estados Unidos, pela contratação do volante José Martínez.
Além da nova punição, o planejamento financeiro também foi impactado pelos atrasos no pagamento de salários e direitos de imagem do elenco entre maio e junho.
A reportagem entrou em contato com um integrante da diretoria do Midtjylland, mas não obteve resposta até a publicação do texto.
CENÁRIO DAS PUNIÇÕES
Mesmo com quatro transfer bans ativos, o Corinthians não vê, neste momento, risco de sofrer sanções esportivas, como perda de pontos ou rebaixamento. Esse tipo de punição, porém, pode ocorrer caso as pendências não sejam resolvidas dentro do prazo de três janelas de transferências.
As proibições de registrar jogadores por três janelas referem-se às dívidas com o Midtjylland e com o Philadelphia Union. O clube também cumpre uma sanção por tempo indeterminado, no valor aproximado de US$ 200 mil (pouco mais de R$ 1 milhão), decorrente de multas disciplinares aplicadas pela Fifa em razão do acúmulo recente de transfer bans.
Além desses processos, o Corinthians ainda tem outras duas disputas em andamento: uma envolve o New York City, dos Estados Unidos, e outra o Tokushima Vortis, do Japão.
Com o clube americano refere-se ao não pagamento das taxas de empréstimo do atacante Talles Magno. O clube foi condenado pela Fifa, recorreu e aguarda o julgamento do recurso no CAS.
Já com a equipe japonesa tem a ver com o não pagamento da contratação do zagueiro Cacá, que foi emprestado ao Vitória no início deste ano.
PLANO PARA QUITAR AS DÍVIDAS
A estratégia do Corinthians é quitar primeiro as dívidas de menor valor. Para isso, a diretoria aguarda o recebimento de recursos do contrato de patrocínio recém-fechado com a Fatal Fans, enquanto busca negociar jogadores durante a atual janela de transferências.
A meta da direção é arrecadar R$ 180 milhões brutos com a venda de ativos nesta janela. A expectativa é utilizar parte desse montante para reduzir as pendências e encerrar os processos que impedem o clube de registrar novos jogadores.