Celebração do Orgulho LBGT+ e voto consciente
O orgulho das cores das bandeiras que representam a diversidade ocupou a Esplanada dos Ministérios neste último domingo. O tema desta edição da Parada LGBT de Brasília foi “LGBT+, Levante e Vote!”. Este foi o ápice de uma série de eventos do festival Brasília Orgulho em comemoração à diversidade, pensada especialmente para a comunidade LGBT+ do Distrito Federal. A programação do dia contou com atrações musicais, discursos políticos e muita diversidade, além do lançamento do projeto Dançando a Vida com Close.
A Parada do Brasília Orgulho coroou o fim do festival de 16 dias do casal Josiara Ribeiro e Jéssica Silva com programações diversas. A iniciativa é da Associação Brasília Orgulho, que realiza a marcha na capital desde 1998.

Thalles Andrade, co-coordenador do Brasília Orgulho, afirmou que a Parada deste ano quis trazer mais conscientização sobre o voto, para além do orgulho e da celebração da diversidade. O evento visa dar visibilidade à comunidade e reforçar a necessidade do voto consciente, que Thalles considera que, independentemente da orientação sexual, é um ano importante para que toda a população aprenda a votar com consideração. “É um ano muito importante para todo o país, sendo LGBT ou não. As pessoas têm que estudar antes de votar; muitas nem sabem para quantos senadores vão votar. Estamos aqui para conscientizar, principalmente o público LGBT, a votar em pessoas que vão lutar pela gente e agregar à nossa comunidade”, ressaltou.
A marcha teve alas temáticas como a da diversidade e das bandeiras bissexuais ao longo do percurso. “A gente nunca queria ter que levantar uma bandeira, mas levanta com orgulho todo ano porque foi através das pessoas que lutaram e morreram lá atrás que estamos conseguindo fazer isso em 2026. Se a gente parar, os direitos acabam. Sonhamos em um dia chegar à equidade, mesmo sabendo que ainda é um caminho longo”, concluiu.
Saúde do coração LGBT+
No meio de tantos leques e bandeiras de todas as cores, estava um casal de enfermeira e médica que, para além da fantasia, queriam levar atendimento de saúde para as mulheres lésbicas do DF. A gestora comercial Josiara Ribeiro, de 30 anos, e a terapeuta sistêmica Jéssica Silva, de 34, tinham nas vestes a frase “pronto-socorro do coração lésbico”. “É uma forma da gente trazer o nosso trabalho para agregar para a parada. É uma fantasia séria que representa o projeto que desenvolvemos para levar mais saúde emocional e mostrar como se relacionar de forma saudável, porque sabemos que também existem relações tóxicas entre mulheres”, explicou Jéssica, especialista no atendimento deste público.
Com uma proposta de escuta e acolhimento no próprio evento, as duas quiseram trazer de forma lúdica este tópico de extrema importância. De acordo com Jéssica, o objetivo no local é entender as demandas amorosas e sugerir o acompanhamento terapêutico. “Nós estamos escutando e entendendo um pouco do coração das mulheres lésbicas, vendo qual o diagnóstico e como está a vida amorosa delas para sugerir o tratamento”, destacou. Ela contou que os atendimentos continuam de forma online para quem tiver interesse.
Arte drag
A representatividade do dia em que os LGBT+ de Brasília ocuparam as ruas também foi marcada pelo lançamento do projeto “Dançando a Vida com Close”, um curso gratuito voltado para a criação de performances drags autorais. A drag queen Etcetera Vibes é a criadora da iniciativa inovadora que utiliza a biodança — uma prática integrativa em saúde conhecida como a “dança da vida” — para despertar potenciais artísticos em pessoas a partir de 18 anos, sejam elas artistas ou não. “O nome é uma metáfora para que a gente possa performar de uma forma mais leve tudo o que está acontecendo na nossa vida: dançar a vida e dar o close, que é o que a gente quer fazer para brilhar muito”, explicou.

O início das aulas será no dia 15 de setembro e, ao final do curso, o encerramento será com um show coletivo. As inscrições para o projeto são gratuitas e estão abertas até o dia 23 de agosto, disponíveis através do perfil @dancandovidacomclose no Instagram. Para Etcetera Vibes, realizar o lançamento do projeto durante a Parada do Orgulho teve um peso especial e estratégico, já que o público-alvo são pessoas LGBTs, mulheres, pessoas negras e indígenas, o público presente na marcha. “Essa parada tem tudo a ver com a nossa história e com a minha história como drag queen, por isso é um dia muito significativo para o lançamento”, ressaltou.
A drag queen Carrie Myers estava na Parada e, para ela, a celebração do orgulho e o incentivo a iniciativas como o projeto Dançando a Vida com o Close são fundamentais para fortalecer e manter viva a cena artística local. Para ela, Brasília é uma cidade que respira arte e cultura. Ela acredita que a marcha do Orgulho tem um papel tanto de representatividade quanto de reivindicação política. “Acho esse dia muito importante pra gente poder se orgulhar, lembrar o motivo da nossa existência e vir aqui lutar pelos nossos direitos e pelo espaço que é nosso por direito. Amo e carrego com orgulho ser drag de Brasília. Vamos lembrar de nos orgulhar todos os dias, não só hoje”, declarou.

Representatividade internacional
Na Parada, também estavam representantes da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) para promover a integração dos refugiados LGBT+ que fogem de perseguições baseadas em identidade de gênero e orientação sexual. O Brasil é um dos países que acolhem essas pessoas e o ACNUR tem uma parceria com o Brasília Orgulho, viabilizando a participação de refugiados no evento para reforçar o papel da marcha como um espaço de acolhimento, proteção e construção de laços.
No sentido de mostrar o apoio a pessoas de todo o alfabeto LGBTQIA+, a Embaixada da Irlanda, sob a presidência da União Europeia, também promoveu uma iniciativa com representações diplomáticas para celebrar a diversidade na Parada de Brasília.
SERVIÇO
Curso “Dançando a Vida com Close”
O que é: Curso gratuito para criação de performances drags autorais utilizando a metodologia da biodança.
Público-alvo: Pessoas com 18 anos ou mais (com foco em pessoas LGBTs, mulheres, negras e indígenas), artistas ou iniciantes.
Inscrições: Gratuitas, até 23 de agosto, através do link no Instagram @dancandovidacomclose.
Início das aulas: 15 de setembro.