Pré-candidata do PL vai parar na delegacia após confusão em condomínio
A pré-candidata a deputada federal pelo Partido Liberal (PL), Maria Amélia, conhecida no cenário político do Distrito Federal por sua proximidade com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e com a deputada federal Bia Kicis, está temporariamente impedida de acessar o Condomínio Mônaco, situado no Jardim Botânico, na condição de moradora. Por determinação da administração interna, ela e o marido, Ronaldo Gonçalves Dias, devem ingressar no residencial sob o cadastro de visitantes.
A restrição decorre da ausência de documentação que comprove a titularidade do terreno onde o casal reside há cerca de 16 anos. De acordo com a administração do condomínio, a norma é válida desde 2017 e se aplica de forma indistinta a todos os condôminos que possuem pendências no cadastro patrimonial.
O impasse ganhou repercussão pública após Ronaldo publicar vídeos nas redes sociais acusando a síndica do Mônaco, Juliana Porcaro, de perseguição política. Juliana, que também se declara alinhada ao campo bolsonarista e não concorre a cargos eletivos, rebateu as acusações afirmando que sua conduta é pautada estritamente no cumprimento de obrigações legais previstas no Código Civil e na Convenção Condominial. A gestora esclareceu que o casal foi notificado em 2018, durante a gestão anterior, e novamente alertado no início deste ano, quando foram concedidos prazos formais para a regularização dos papéis.
As tensões entre o casal e a gestão do residencial já se acumulavam desde janeiro, quando Maria Amélia e o marido foram proibidos de votar na assembleia geral do condomínio pela mesma razão documental. Na ocasião, presenciada por testemunhas, Ronaldo teria proferido declarações de tom intimidador contra a síndica, afirmando que ela estaria criando inimigos e que seria melhor tomar cuidado.
Confusão
O conflito atingiu o ápice na última quinta-feira, quando uma nova discussão na portaria terminou com os envolvidos conduzidos à Delegacia de Polícia do Lago Sul, onde foi lavrado um boletim de ocorrência por ameaça e danos ao patrimônio. Segundo a administração, o casal recusou-se a realizar o cadastro obrigatório de visitante para entrar no local e passou a forçar a passagem, vindo a atropelar e danificar a catraca de acesso.
Além dos prejuízos materiais e transtornos causados a trabalhadores e moradores, o casal teria ido até o terreno da síndica para gravar vídeos expondo o litígio administrativo em grupos de mensagens do WhatsApp.
Nossa reportagem procurou a pré-candidata, mas até o momento não obtivemos retorno.
Bia Kicis
A disputa ultrapassou os limites do condomínio e envolveu lideranças políticas do partido. Segundo a versão do condomínio, a deputada federal Bia Kicis (PL) chegou a entrar em contato com a síndica Juliana Porcaro, alegando que o casal possui a documentação necessária, embora os papéis ainda não tenham sido formalmente entregues à administração.
Para a gestão do Condomínio Mônaco, a controvérsia permanece estritamente no campo documental e burocrático. A administração manteve o posicionamento de que, enquanto a documentação exigida não for apresentada e validada, o cadastro de morador continuará suspenso e o acesso do casal seguirá restrito à condição de visitante.
Em sua defesa nas redes sociais, Ronaldo Gonçalves Dias declarou que já havia entregue toda a documentação solicitada em gestões anteriores e afirmou que ele e a esposa se sentem humilhados por precisarem se identificar como visitantes na entrada do local onde vivem há mais de 15 anos.