DF registra 4,7 mil acidentes com escorpiões em 2025; veja como evitar picadas
A prevenção de acidentes com escorpiões exige cuidados durante todo o ano, segundo orientações da Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF). Em 2025, foram registrados cerca de 4,7 mil acidentes envolvendo escorpiões no DF. Embora os casos ocorram em todas as estações, há um leve aumento no início do período chuvoso, quando o alagamento de abrigos pode levar os animais a procurar locais secos.
Entre as principais medidas preventivas estão a retirada de entulhos, a limpeza de quintais e outros espaços, a vedação de ralos e de buracos em paredes e o controle de pragas, especialmente baratas, que são uma das principais fontes de alimento dos escorpiões.
“É uma atenção parecida com a da dengue: se um vizinho mantém, por exemplo, o terreno com entulho, coloca em risco toda a comunidade ao redor”, afirma o diretor de Vigilância Ambiental da SES-DF, Wendel de Medeiros.
A população pode solicitar apoio da Vigilância Ambiental pelos telefones 160 ou 162. Os agentes podem atuar em locais com grandes infestações e orientar os moradores sobre a identificação de pontos que favorecem a presença dos animais.
De acordo com Medeiros, o controle depende também da participação dos moradores, já que os escorpiões estão adaptados ao ambiente urbano e não podem ser completamente eliminados. A atenção deve ser redobrada após a desinsetização contra baratas. Como os escorpiões não são diretamente afetados pelos inseticidas, podem deixar os esconderijos em busca de outros locais, aumentando o risco de contato com pessoas.
Prevenção durante todo o ano
A gerente de Vigilância Ambiental de Vetores e Animais Peçonhentos e Ações de Campo da SES-DF, Hérica Bassani, reforça que não há uma única época de risco. Segundo ela, é necessário realizar inspeções periódicas e manter medidas preventivas durante todas as estações.
No período de seca, o acúmulo de materiais, folhas secas e entulhos próximos às residências pode criar novos esconderijos. Já durante as chuvas, o alagamento de abrigos naturais e artificiais pode fazer com que os animais se desloquem para áreas secas.
Uma das espécies encontradas no DF é o escorpião-amarelo (Tityus serrulatus), que pode se reproduzir por partenogênese, processo em que a fêmea consegue gerar descendentes sem a participação de um macho. Em condições favoráveis, um único animal pode produzir até 160 filhotes ao longo de um ano.
A SES-DF também destaca a importância da notificação dos acidentes. Os registros ajudam a direcionar ações de vigilância e controle, planejar campanhas educativas, subsidiar políticas públicas e organizar a distribuição de soros antivenenos.
O que fazer em caso de picada

As unidades de saúde do Distrito Federal receberam mais de 830 ampolas de soro antiescorpiônico em 2025. Atualmente, a Rede de Frio Central da Secretaria de Saúde mantém um estoque estratégico para reposição, enquanto hospitais da rede pública dispõem de doses para atendimento imediato.
A utilização do soro depende da avaliação clínica. Em casos graves, podem ser administradas até seis ampolas. Nos moderados, são utilizadas três. Já nos casos leves, o tratamento pode se limitar ao controle da dor.
Independentemente da gravidade inicial, a orientação é procurar imediatamente uma unidade de saúde após a picada. Segundo a farmacêutica toxicologista da SES-DF, Flávia Neri, a evolução do quadro pode ocorrer em poucas horas, com sintomas como vômitos, suor intenso, confusão mental e dificuldade para respirar.
Em adultos que apresentem apenas dor, o atendimento pode ser realizado em uma Unidade Básica de Saúde (UBS), onde o paciente pode receber analgésicos e permanecer em observação por até 12 horas.
Crianças, especialmente as menores de 10 anos, devem ser levadas diretamente a um hospital. Segundo Neri, o menor tamanho corporal aumenta o risco de complicações graves. Vômitos são considerados um sinal precoce de gravidade nesses casos.

Como evitar acidentes
Entre as principais recomendações da SES-DF estão:
- Examinar roupas e calçados antes de usá-los;
- Sacudir roupas de cama, roupas pessoais e sapatos antes do uso;
- Manter camas, sofás e berços afastados das paredes;
- Evitar que lençóis, cobertores e cortinas encostem no chão;
- Utilizar luvas grossas ao manusear materiais de construção, limpar jardins ou mexer em materiais que possam servir de abrigo;
- Retirar entulhos, pilhas de madeira, pedras, restos de plantas e materiais de construção;
- Manter quintais, quartos e armários organizados e higienizados;
- Aparar moitas e folhagens próximas às residências;
- Guardar caixas de papelão em gavetas ou prateleiras, e não diretamente no chão;
- Tampar buracos e vedar frestas e aberturas de portas;
- Utilizar panos ou vedadores nas aberturas das portas.
Cuidados no trabalho
Durante atividades rurais, limpeza de jardins e terrenos, transporte de lenha, movimentação de móveis ou manuseio de materiais de construção, a recomendação é utilizar equipamentos de proteção individual, como luvas de raspa de couro, botas e perneiras.
Também é importante observar atentamente o local de trabalho e evitar colocar as mãos em tocas, buracos, ocos de árvores, cupinzeiros, montes de lenha ou entre pedras. Quando for necessário movimentar esses materiais, devem ser utilizadas ferramentas, como pedaços de madeira, enxadas ou foices.