Após 25 anos, quadrilha da Capela São Luís Gonzaga reúne gerações em noite de nostalgia no Gama
Mais do que uma apresentação de festa junina, a Quadrilha da Capela São Luís Gonzaga, no Setor Sul do Gama, representou um reencontro com a própria história da comunidade. Depois de mais de 25 anos, antigos integrantes voltaram à quadra no último domingo (2) para reviver uma tradição que nasceu dos grupos de jovens da igreja e marcou gerações de moradores.

Criada a partir da união dos grupos jovens, além de movimentos como o MAC e o Segue-me, a quadrilha sempre teve como principal objetivo reunir famílias, celebrar a alegria e fortalecer os laços entre os moradores. Diferente de muitas quadrilhas tradicionais, a São Luís Gonzaga nunca teve como foco a competição, mas sim a convivência e a celebração comunitária. Ao longo dos anos, os integrantes criaram apresentações que ficaram guardadas na memória, com casamentos caipiras e temas que marcaram época, como uma versão inspirada no filme Titanic.
A retomada da dança teve um significado ainda mais especial para quem participou desde o início. Muitos dos jovens que um dia ocupavam a quadra da igreja cresceram, formaram famílias e voltaram ao mesmo espaço acompanhados dos próprios filhos, transformando a apresentação em um encontro entre passado, presente e futuro.

Reencontro de gerações
Entre os participantes estava Alan Fernandes, de 48 anos, que voltou a dançar depois de mais de duas décadas. Para ele, a noite foi marcada pela emoção de reencontrar antigos amigos e reviver uma fase importante da juventude.
“É inexplicável. Participar desse grupo que fez tanto sucesso quando a gente era jovem era o motivo maior para a gente vir à igreja e levar essa alegria para a comunidade”, contou. Segundo Alan, a quadrilha também representa uma forma de manter viva uma tradição construída ao longo dos anos.

O momento ganhou ainda mais significado porque ele dividiu a apresentação com o filho, Alan Junior Mendes, de 12 anos. Pela primeira vez, o adolescente participou da quadrilha ao lado do pai e se emocionou com a experiência.
“Foi legal, foi muito emocionante também, teve muita alegria. E se der, eu continuo”, afirmou o jovem, ao falar sobre a possibilidade de seguir participando da tradição.
Para o pai, ver o filho ocupando o mesmo espaço onde ele dançou na juventude representa a continuidade de um legado. “A gente torce que eles continuem, que essa juventude possa dar continuidade a esse trabalho. Deixar esse legado para o meu filho é muito emocionante”, disse.
Uma história construída pela comunidade
Um dos responsáveis pelo reencontro foi Erimar Gonzaga, de 44 anos, que relembrou que a ideia da quadrilha surgiu há mais de 25 anos, quando os grupos de jovens da comunidade se uniram para criar uma apresentação durante as festividades da Capela São Luís Gonzaga.

Segundo ele, a proposta sempre foi levar diversão e aproximar as pessoas. “Nunca foi a questão de competição, mas sempre foi uma quadrilha muito boa e muito animada”, explicou. Com o passar do tempo, a tradição cresceu e passou a envolver também os filhos daqueles que começaram a história.
A última dança, como foi planejada pelos antigos integrantes, acabou se tornando uma grande celebração de amizade e memória. A ideia surgiu durante o casamento de uma amiga que havia conhecido o companheiro na própria quadrilha, quando ainda era adolescente. O reencontro possibilitou reunir pessoas que não se viam há anos.

“Foi muito bom porque a gente viu pessoas aqui que tinham mais de 10 anos que a gente não se via. A gente pôde reunir, pegar contato de todo mundo de novo. Foi muito satisfatório”, destacou Erimar.
A emoção também tomou conta de quem acompanhou a trajetória da quadrilha de fora da pista. Ana Maria de Oliveira Fernandes, de 72 anos, acompanha a tradição desde o começo e se emocionou ao ver o filho dançando novamente, agora ao lado do neto.
“É uma felicidade a gente ver o filho dançando há tanto tempo. É uma tradição há muito tempo e eu acompanho desde pequenininho”, contou. Para ela, a sensação de ver a família reunida na quadrilha continua sendo a mesma: “É alegria só”.
Mais do que uma apresentação junina, a Quadrilha São Luís Gonzaga mostrou que algumas tradições permanecem vivas justamente porque conseguem atravessar gerações. Na quadra da capela, antigos jovens, filhos e famílias inteiras celebraram uma história construída com fé e amizade.
