Familiares celebram 50 anos da primeira medalha paralímpica do Brasil

O Brasil celebrou, nesta semana, os 50 anos da primeira medalha paralímpica de sua história, conquistada por Robson Sampaio de Almeida e Luiz Carlos da Costa. A prata no lawn bowls, obtida em Toronto, em 6 de agosto de 1976, foi lembrada em homenagem realizada no Centro de Treinamento Paralímpico, em São Paulo, com a presença de familiares e representantes do Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB).

As medalhas da dupla estiveram expostas na cerimônia, descrita pelos familiares como um resgate de uma história que não era contada. Para Noêmia Almeida, sobrinha de Robson, a trajetória dos dois ajuda a explicar a consolidação do paradesporto no país. Ela destacou que, no passado, faltavam recursos e apoio institucional, e que a busca por uniformes e passagens dependia de articulações feitas diretamente com autoridades.

Robson Sampaio de Almeida foi fundador do Clube do Otimismo, no Rio de Janeiro, criado em 1958 com o objetivo de abrigar pessoas com deficiência sem recursos para reabilitação. Segundo o relato da família, ele utilizou a indenização recebida após um acidente de trabalho nos Estados Unidos, que o deixou paraplégico, para criar a instituição. Noêmia afirmou que Robson também era um defensor da inclusão de pessoas com deficiência no mercado de trabalho.

Luiz Carlos da Costa, conhecido como “Curtinho”, foi atendido pelo Clube do Otimismo e desenvolveu amizade e parceria esportiva com Robson. Hoje com 79 anos e em tratamento de Alzheimer, ele foi lembrado por Paulo Robson de Almeida como um importante companheiro de equipe e também como alguém que contribuía tecnicamente com o conserto de cadeiras de rodas em competições internacionais.

A dupla viajou aos Jogos de Toronto para competir no basquete em cadeira de rodas e acabou convidada para disputar o lawn bowls, modalidade então permitida em mais de uma prova. No Etobicoke Lawn Bowling Club, os brasileiros terminaram em segundo lugar, atrás dos australianos Eric Magennis e Bruce Thwaite. Os britânicos David Avis e Michael McCreadie completaram o pódio.

A reportagem também lembrou mudanças na estrutura do paradesporto brasileiro ao longo das décadas. O CPB foi criado em 1995 e passou a integrar o Sistema Nacional do Desporto em 1998, por meio da Lei Pelé. Em 2001, a Lei Agnelo Piva destinou parte dos recursos de loterias federais ao financiamento do esporte, com parcela direcionada ao paradesporto. Já o Centro de Treinamento Paralímpico, inaugurado em 2016, consolidou-se como uma das principais estruturas do país e também como espaço de formação gratuita para jovens com deficiências física, visual e intelectual.

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