Pacientes lamentam demora de atendimento em hospitais públicos e privados
Por Mariana Mazzaro
A brasiliense Márcia Gimenez de Jesus, de 44 anos, explica que, após o aumento do valor do plano de saúde, de R$ 440 para R$ 1,1 mil em menos de dois anos, passou a utilizar com maior frequência hospitais da rede pública, onde se sente melhor atendida.
“Estou impactada porque o tempo de demora das vezes que eu precisei está sendo menor do que na rede privada”, relatou Márcia, no Hospital de Base.
Planos de saúde
A paciente também afirmou estar em tratamento pela rede privada há dois anos e disse ter encontrado dificuldades relacionadas à demora, à autorização de procedimentos e à relação com profissionais de saúde.
Segundo ela, houve situações em que exames demoraram semanas para serem autorizados pelo plano. A entrevistada também criticou o que considera uma falta de escuta por parte de alguns profissionais.
“Poucos foram os médicos e enfermeiros que me trataram com empatia e realmente cuidaram do meu caso”, afirmou.
Ao comparar as duas redes, Márcia afirmou considerar que, em sua experiência pessoal, a qualidade do atendimento público chegou a ser superior à que encontrou na rede privada.
Espera
A percepção é diferente para Luísa Mar, de 48 anos, dona de casa. Ela acompanhava a sobrinha, que havia procurado atendimento após adoecer, e afirmou que aguardava pela triagem no momento da entrevista.
“Eu acho que está muito precária, muito precária mesmo. Precisa os governantes tomar providência, porque senão a gente vai perder muita gente”, declarou.
Luísa afirmou que a espera para atendimentos de emergência pode ultrapassar cinco horas, segundo suas experiências. Ela também citou dificuldades que envolvem atendimento médico, equipamentos para exames e estrutura de laboratório.
A entrevistada também afirmou ainda já ter presenciado situações que considera graves envolvendo pacientes que aguardavam atendimento. Entre os casos mencionados, citou mulheres grávidas que, segundo seu relato, chegaram a entrar em trabalho de parto enquanto esperavam.
Alessandro Alves da Silva, de 40 anos, acompanhava a mãe, Maria Célia Alves, de 63 anos, durante uma internação. Segundo ele, a discussão sobre saúde deve estar acompanhada de outras políticas públicas, como educação, segurança e inclusão social.
Ele também destacou a necessidade de atenção à população em situação de vulnerabilidade.
Não é ordem de chegada
A assessoria da Secretaria de Saúde do Distrito Federal explicou que as demandas se concentram principalmente nos atendimentos de urgência e emergência, além do acesso a consultas especializadas, exames e cirurgias.
“É importante destacar que, nas emergências, o atendimento não ocorre exclusivamente por ordem de chegada. Os pacientes são classificados de acordo com a gravidade clínica, e os casos de maior risco têm prioridade.”
Segundo a SES-DF, essa classificação pode fazer com que pacientes considerados menos graves aguardem por mais tempo, principalmente em períodos de maior procura.
A secretaria afirma que acompanha essas demandas e busca ampliar a capacidade de atendimento e melhorar os fluxos assistenciais.
“A Secretaria acompanha essas demandas permanentemente e trabalha para ampliar a capacidade de atendimento, melhorar os fluxos assistenciais e reduzir o tempo de espera da população”, disse a assessoria.
A comunicação do governo também destacou medidas adotadas para enfrentar as sobrecargas da rede, como a recomposição das equipes, ampliação da oferta de consultas, exames e cirurgias, aumento da disponibilidade de leitos, aquisição de equipamentos e reformas nas unidades.
“São medidas diferentes, mas que possuem o mesmo objetivo, como ampliar a capacidade de atendimento e fazer com que o usuário tenha uma resposta mais rápida e resolutiva dentro da rede”, relatou a assessoria do SES-DF
No documento, a Secretaria de Saúde também informou que tem adotado medidas em diferentes frentes para melhorar a qualidade do atendimento oferecido à população.
Mais profissionais
Segundo a Assesoria, as ações incluem a recomposição da força de trabalho, com nomeações de profissionais aprovados em concursos e contratação de profissionais de saúde para áreas com maior necessidade.
A Secretaria também citou a ampliação da oferta de consultas, exames e cirurgias, o aumento da disponibilidade de leitos, melhorias nos processos de regulação, aquisição de equipamentos, reformas e adequações das unidades e expansão da Atenção Primária.
Também foi afirmado que projetos desenvolvidos nas emergências buscam reorganizar os fluxos de atendimento, integrar as equipes e reduzir o tempo de permanência dos pacientes.
O objetivo é utilizar a estrutura existente de forma mais eficiente e garantir maior agilidade na passagem dos pacientes pela rede pública de saúde.