Brasília assume liderança entre as grandes cidades brasileiras em novo ranking
Por Simone Salles
Especial para o Jornal de Brasília
Brasília começa setembro com um novo argumento para se destacar entre as grandes cidades brasileiras. A capital federal assumiu o primeiro lugar entre os municípios com mais de 500 mil habitantes no Índice de Desenvolvimento Sustentável das Cidades – Brasil (IDSC-BR) 2026, divulgado nesta quinta-feira (3) pelo Instituto Cidades Sustentáveis.
Brasília alcançou 61,71 pontos, à frente de Curitiba, com 58,15, e São Paulo, com 58,01. O resultado representa uma evolução expressiva em relação à edição anterior, quando a capital tinha 57,67 pontos. Com a nova pontuação, Brasília foi a única cidade desse grupo a entrar na faixa considerada de alto desenvolvimento sustentável, entre 60 e 79,99 pontos.
O levantamento não é uma pesquisa de opinião. O IDSC-BR cruza dados públicos de diferentes áreas e avalia os 5.570 municípios brasileiros a partir de 100 indicadores, relacionados aos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Organização das Nações Unidas.
Entre os temas estão saúde, educação, renda, pobreza, saneamento, moradia, mobilidade, igualdade, meio ambiente, segurança e emissões de carbono. A nota varia de zero a 100, e quanto maior a pontuação, maior o avanço em direção às metas dos ODS.
Avanços e desafios
O resultado ganha relevância porque reúne dimensões diferentes da vida urbana. Brasília tem hoje uma população estimada em 2,99 milhões de habitantes, segundo o IBGE, e continua entre os maiores centros urbanos do país.
Na renda, a capital também aparece em posição privilegiada. O rendimento domiciliar per capita do Distrito Federal chegou a R$ 4.538 em 2025, o maior valor entre as unidades da Federação, segundo o IBGE. A média brasileira foi de R$ 2.316.
No saneamento, dados de 2025 da Caesb apontam 99% de atendimento de água e 95,95% de atendimento de esgoto no Distrito Federal. Os índices ajudam a explicar o desempenho da capital em indicadores relacionados à infraestrutura urbana.
Mas a liderança não significa que Brasília tenha desempenho máximo em todas as áreas. Na educação, por exemplo, os resultados divulgados pelo Inep em agosto mostram que o Ideb do ensino médio do Distrito Federal caiu de 4,2 em 2023 para 4,1 em 2025. Nos anos iniciais do ensino fundamental, o índice ficou em 6,4, enquanto nos anos finais passou de 5 para 5,1.
Capital abre vantagem sobre outras grandes cidades
A diferença para as concorrentes é significativa. Curitiba, segunda colocada, marcou 58,15 pontos, enquanto São Paulo ficou com 58,01. Na sequência aparecem Ribeirão Preto, Londrina e São José dos Campos.
O ranking das dez cidades com mais de 500 mil habitantes ficou assim:
Brasília (DF) – 61,71
Curitiba (PR) – 58,15
São Paulo (SP) – 58,01
Ribeirão Preto (SP) – 57,68
Londrina (PR) – 57,59
São José dos Campos (SP) – 56,27
Contagem (MG) – 56,11
Florianópolis (SC) – 55,89
Uberlândia (MG) – 55,22
Sorocaba (SP) – 55,07.
São Paulo é o estado com maior presença entre as dez primeiras, com quatro municípios. Paraná e Minas Gerais aparecem com dois cada.
Um resultado que chama atenção no país inteiro
O desempenho de Brasília faz parte de uma melhora mais ampla observada no levantamento de 2026. Pela primeira vez desde o início do monitoramento, em 2015, a média dos 5.570 municípios brasileiros ultrapassou 50 pontos e chegou a 51,22.
Segundo os dados divulgados com o índice, sete em cada dez municípios melhoraram sua pontuação em relação à edição anterior. Mesmo assim, apenas 271 cidades, onde vivem aproximadamente 7,8 milhões de pessoas, atingiram a faixa de alto desenvolvimento sustentável.
O primeiro lugar coloca a capital federal diante de uma situação curiosa: ao mesmo tempo em que os números mostram avanços importantes em renda, infraestrutura e desenvolvimento sustentável, o índice também evidencia que ainda há espaço para melhorar.
O resultado de 2026, portanto, não representa apenas um título. Ele funciona como um retrato dos avanços e das dificuldades de Brasília e permite acompanhar, ano a ano, se a capital está realmente se aproximando das metas estabelecidas para 2030.
Para uma cidade que reúne quase três milhões de habitantes, grandes diferenças socioeconômicas entre suas regiões e a responsabilidade de sediar o centro político do país, estar no topo entre as grandes cidades brasileiras é um resultado expressivo, mas também aumenta a cobrança para que os bons indicadores cheguem de forma mais equilibrada a toda a população.
O que o ranking mede
O IDSC-BR foi criado para acompanhar o avanço dos municípios brasileiros em direção à Agenda 2030 da ONU. Por isso, não se trata de um ranking baseado apenas em riqueza ou percepção dos moradores.
Os 100 indicadores utilizados na edição de 2026 abrangem os 17 ODS, que vão desde erradicação da pobreza, saúde e educação até igualdade, energia, trabalho, cidades sustentáveis, consumo responsável, ação climática e instituições eficazes.
Os dados são reunidos de fontes públicas e oficiais, como IBGE, DataSUS e Inep, entre outras. A iniciativa é do Instituto Cidades Sustentáveis, em parceria com a Sustainable Development Solutions Network (SDSN), com consultoria do Cebrap.
Índice: Índice de Desenvolvimento Sustentável das Cidades – Brasil (IDSC-BR)
Edição: 2026
Divulgação: 3 de setembro de 2026
Abrangência: 5.570 municípios brasileiros
Indicadores: 100
Objetivos avaliados: 17 ODS da ONU
Escala: 0 a 100 pontos
Brasília: 61,71 pontos
Classificação: alto desenvolvimento sustentável
Edição anterior de Brasília: 57,67 pontos
Média nacional em 2026: 51,22 pontos
Municípios na faixa de alto desenvolvimento: 27