Direita surra adversários na Alemanha: 44% a 18% do chanceler Friedrich Merz

Pesquisas de boca de urna divulgadas neste domingo (6) indicam que a Alternativa para a Alemanha (AfD), de direita, liderou de forma folgada as eleições estaduais na Saxônia-Anhalt, no leste do país. O partido teria obtido entre 44% e 44,5% dos votos, mais que o dobro do resultado de 2021.

A União Democrata-Cristã (CDU), partido do chanceler Friedrich Merz e atual governante do estado, teria ficado com cerca de 18,3% a 18,5% — uma queda acentuada em relação aos 37,1% de cinco anos atrás. SPD, Verdes e Die Linke também teriam superado a cláusula de barreira de 5%.

O resultado coloca a AfD à beira de formar o primeiro governo estadual de direita na Alemanha desde a Segunda Guerra Mundial. O candidato ao cargo de ministro-presidente é Ulrich Siegmund, de 35 anos. Ele celebrou o desempenho e afirmou que o partido “fez história”. A colíder nacional Alice Weidel classificou o resultado como “histórico” e disse que a AfD recebeu mandato para governar.

Ainda assim, governar não é automático. O chefe de governo estadual é eleito pela maioria do parlamento, e não diretamente pelos eleitores. Projeções apontam que a AfD deve ficar perto, mas possivelmente abaixo da maioria absoluta de 42 cadeiras em um parlamento de 83 assentos. Os demais partidos, em geral, recusam coalizão com a AfD.

O governador em exercício, Sven Schulze (CDU), reconheceu a derrota e parabenizou o partido vencedor. A participação foi alta: estimativas apontam comparecimento entre 75% e mais de 80%.

Siegmund defende medidas como educação domiciliar, restrições à presença de filhos de refugiados e de crianças com deficiência em escolas regulares, deportações e redução de fontes de energia renovável. A AfD no estado é classificada como extremista pelo serviço de inteligência interno alemão — classificação que o partido rejeita.

O resultado aumenta a pressão sobre o governo federal de Merz e reforça o peso da AfD no leste alemão, embora a composição final do parlamento e as negociações de coalizão ainda devam definir se o partido chegará de fato ao poder.

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