JEBs Sub-14 adotam programa inédito para prevenir assédio, violência e discriminação
A proteção de crianças e adolescentes ganhou uma estrutura específica nos Jogos Escolares Brasileiros (JEBs) Sub-14 de 2026. Pela primeira vez, a Confederação Brasileira do Desporto Escolar (CBDE) implementou de forma estruturada o programa Esporte Seguro durante uma de suas competições. A iniciativa acompanha toda a realização dos Jogos e busca garantir que estudantes-atletas, profissionais e demais participantes encontrem um ambiente de respeito, acolhimento e segurança.
O programa, também conhecido como Safeguarding, reúne medidas de prevenção e enfrentamento a situações que possam comprometer o bem-estar dos participantes. Entre os riscos contemplados estão agressões físicas e psicológicas, assédio moral e sexual, abuso sexual, negligência, racismo, xenofobia e outras formas de discriminação. A proposta é fazer com que a proteção esteja presente na rotina da competição, desde as orientações preventivas até o encaminhamento de eventuais ocorrências.
Para colocar a iniciativa em prática, a CBDE passou a contar com o trabalho especializado da SOÁ – Instituto Esporte Seguro. A implementação é coordenada pelas oficiais Soraya de Carvalho e Julia Viera dos Santos, responsáveis por supervisionar as ações ao longo do evento. O trabalho está organizado em quatro frentes: estrutura de segurança e proteção, atividades educativas, acompanhamento dos participantes e atendimento de possíveis ocorrências.
A criação dessa estrutura também acompanha as exigências de proteção previstas na legislação esportiva brasileira para crianças e adolescentes em eventos organizados por entidades que recebem recursos públicos. Segundo Soraya, a faixa etária dos competidores torna o cuidado especialmente relevante. “Para a CBDE, este é um evento especialmente importante, não apenas pela faixa etária dos participantes, mas pelo compromisso de formar cidadãos por meio do esporte. É por isso que, pela primeira vez, implementamos o Programa Esporte Seguro de forma estruturada em um evento da CBDE”, explica.
O atendimento prevê diferentes níveis de atuação conforme a gravidade de cada situação. Ocorrências classificadas como médias ou graves podem receber o apoio do Grupo de Gerenciamento de Ocorrência (GGO), formado por especialistas de áreas como medicina, psicologia, direito e comunicação. Quando houver necessidade de suporte adicional, o programa poderá acionar o Grupo de Apoio Externo (GAE), que reúne especialistas independentes, autoridades e órgãos de proteção infantil, incluindo conselhos tutelares, delegacias especializadas e centros de referência.
Além da resposta a possíveis episódios de violência, a iniciativa procura preparar atletas e profissionais para reconhecer sinais de risco, compreender como agir e buscar ajuda com segurança. O acompanhamento deve assegurar que os relatos sejam tratados de maneira adequada e confidencial, evitando que as medidas de proteção fiquem restritas a orientações formais.
A expectativa apresentada pela organização é ampliar a experiência para os demais eventos da CBDE. Com isso, o Esporte Seguro pretende consolidar uma cultura de cuidado que acompanhe a formação esportiva dos estudantes e reforce a compreensão de que respeito e proteção são condições fundamentais para a participação de crianças e adolescentes nas competições.