Incerteza jurídica sobre candidatura de Arruda entra nas pesquisas e marca disputa pelo GDF
A disputa judicial pelo registro de candidatura de José Roberto Arruda (PSD) ganhou espaço na pesquisa Quaest divulgada nesta quarta-feira (23). Pela primeira vez, o instituto mediu as intenções de voto para o Governo do Distrito Federal em um cenário sem o ex-governador, que tenta reverter no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a decisão que o impediu de concorrer. Na simulação com todos os candidatos, Arruda registra 17%, um ponto percentual abaixo dos 18% apontados no levantamento anterior.
A nova configuração da pesquisa reflete uma incerteza que acompanha a campanha do PSD. Além de Arruda, Elisson (Agir) e Rico Pinheiro (PRTB) tiveram os registros indeferidos pelo Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal (TRE-DF) e recorreram ao TSE. Enquanto aguardam o julgamento, os três podem continuar participando da campanha. A Quaest, no entanto, passou a medir também como os eleitores respondem a uma lista de candidatos que não inclui esses nomes.
Sem Arruda, Celina Leão (PP) aparece com 34%, Leandro Grass (PT) registra 23% e Paula Belmonte (PSDB) alcança 7%. Kiko Caputo (Novo) tem 3%, Ricardo Cappelli (PSB) marca 2% e Professora Samara Mineiro (UP), 1%. Outros 15% declaram voto branco, nulo ou afirmam que não votarão, enquanto 15% permanecem indecisos. Por ser a primeira vez que essa composição é apresentada, não há números anteriores para medir sua evolução.
No cenário tradicional, com todos os nomes, a distância entre Arruda e Grass mudou em relação à rodada passada. O petista passou de 17% para 21%, enquanto o ex-governador oscilou de 18% para 17%. Celina aparece com 33%, ante 35% anteriormente. Grass e Arruda estão tecnicamente empatados, considerando a margem de erro de três pontos percentuais. Os dados não demonstram, por si só, que a situação jurídica tenha provocado a oscilação de Arruda, mas mostram que a possibilidade de sua ausência passou a ser considerada no levantamento eleitoral.
A definição sobre o registro do ex-governador está prevista para esta quinta-feira (24), quando o TSE analisará seu recurso contra o indeferimento determinado pelo TRE-DF. A decisão regional reconheceu a inelegibilidade de Arruda em razão de seis condenações por improbidade administrativa relacionadas à Operação Caixa de Pandora. O Ministério Público Eleitoral defende a manutenção do veto e argumenta que as mudanças recentes na Lei da Ficha Limpa não se aplicam ao caso. Arruda contesta esse entendimento e afirma que apresentou sua candidatura dentro da legislação vigente.
Nas simulações de segundo turno, Arruda registra 32% contra 43% de Celina, enquanto, em um confronto com Grass, aparece com 38% ante 31% do petista. Na pesquisa espontânea, em que os entrevistados não recebem uma lista de candidatos, o ex-governador mantém os mesmos 8% da rodada anterior.