Protestos estudantis na França escalam após jovem de 15 anos perder a mão

A onda de protestos estudantis na França escalou nesta terça-feira (6), com confrontos violentos entre manifestantes e a polícia, um dia depois de um adolescente de 15 anos perder a mão em Lens, no norte do país. A mobilização de alunos e professores reúne centenas de milhares de pessoas e é considerada a maior em décadas.
Os protestos por melhores condições na educação começaram no mês passado, nos subúrbios pobres de Paris, e se espalharam pelo país. O governo respondeu com a polícia de choque, e milhares de pessoas, muitas delas menores de idade, foram detidas.

O caso de Lens
Segundo relatos, o adolescente teve a mão dilacerada ao pegar uma granada de efeito moral usada pela polícia na segunda-feira (5). As circunstâncias exatas não foram esclarecidas. O responsável pelo departamento de Pas-de-Calais, François-Xavier Lauch, afirmou que uma investigação foi aberta.

O caso de Saint-Ouen-l’Aumône
Outro adolescente, Eden L., de 14 anos, ficou gravemente ferido ao ser atingido por um disparo à queima-roupa de um lançador de granadas de gás lacrimogêneo. O episódio ocorreu na semana passada, em frente ao liceu profissionalizante Château d’Épluches, em Saint-Ouen-l’Aumône. Ganhou repercussão depois que vídeos nas redes sociais mostraram três policiais confrontando o jovem nos arredores do protesto. Segundo advogados e familiares, ele não participava da manifestação.

Críticas de entidades
A Comissão Consultiva Nacional de Direitos Humanos da França (CNCDH) expressou grande preocupação com o que classificou como uso desproporcional da força policial e com processos judiciais contra jovens. “As autoridades devem demonstrar a máxima moderação no uso da força e na abertura de processos judiciais”, afirma a comissão em nota.

A Anistia Internacional também pediu que as autoridades reduzam as tensões. “As autoridades francesas devem cumprir suas obrigações em relação aos direitos humanos e interromper a resposta policial desproporcional observada nos últimos dias aos protestos estudantis”, alertou a entidade antes dos atos desta terça. “Crianças e jovens que reivindicam pacificamente seu direito à educação devem ser protegidos, em vez de serem espancados, atingidos por gás lacrimogêneo ou detidos arbitrariamente”, afirmou a presidente da Anistia Internacional França, Anne Savinel-Barras.

 

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