A trajetória de Celina Leão até a reeleição no Palácio do Buriti

Pelos próximos quatro anos, o Distrito Federal terá à frente do Palácio do Buriti Celina Leão Hizim (PP) como governadora. Nascida em Goiânia em 1977, a administradora e advogada por formação construiu na capital sua vida pública no início dos anos 2000. Celina, que tem como marca sua capacidade de articulação e pragmatismo, foi reeleita neste domingo, dia 25 de outubro. Ela conta com experiências que a fizeram passar pelo Poder Legislativo e Executivo, local e federal.

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Fotos: Cedidas ao Jornal de Brasília

Celina é filha do engenheiro civil Abrão Antonio Hizim e da administradora de empresas Maria Célia Leão. Ela tem a mãe como uma referência no ativismo político, por ter acompanhado de perto a militância da mesma, que é uma referência nas políticas públicas de gênero em Goiás. A governadora é casada com o empresário e advogado Fabricio Faleiro e é mãe de dois filhos: Bruna e Pedro. Aos 49 anos, a mandatária vem de uma jornada que começou sob a influência do ex-governador Joaquim Roriz — o que se refletiu em sua campanha eleitoral corpo a corpo, indo para as ruas, conversando e ouvindo a população.

Ela já passou pelas legendas partidárias PDT e PPS/Cidadania até sua filiação ao Progressistas, em abril de 2018. Sua passagem pela Câmara Legislativa (CLDF) foi de dois mandatos como distrital, onde presidiu a Casa entre 2015 e 2017. Ela sempre teve uma postura firme de oposição — atributo de liderança que moldou o perfil combativo com o qual hoje comanda o Executivo local.

Durante sua atuação parlamentar, ela também apresentou, em articulação com a deputada federal Talíria Petrone (PSOL-RJ), um projeto de resolução que autoriza a posse por videoconferência a mulheres eleitas que estejam em licença-maternidade.

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Antes de assumir o Palácio do Buriti, Celina foi eleita deputada federal em 2018, ano em que atuou como coordenadora da Secretaria da Mulher na Câmara dos Deputados, liderando projetos voltados à proteção e ampliação de direitos das mulheres. Ela também ocupou a Secretaria de Esporte e Lazer do DF no governo de Ibaneis Rocha (MDB). Em 2023, assumiu o cargo de vice-governadora no segundo mandato de Ibaneis.

Na época, Celina assumiu a liderança interina do Palácio do Buriti entre janeiro e março de 2023, quando Ibaneis foi afastado do cargo por 90 dias após os atos do 8 de Janeiro. Já no último ano do mandato, em março de 2026, Ibaneis renunciou ao governo do Distrito Federal para cumprir a exigência de desincompatibilização e concorrer ao Senado Federal — candidatura da qual viria a desistir mais à frente. Celina assumiu então oficialmente a gestão do Executivo do DF, período em que realizou entregas como: autorização para a realização de 20.000 cirurgias e 200.000 consultas na rede privada para reduzir as filas acumuladas; sete novas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs), com previsão de entrega de cinco delas no mesmo ano; a criação do GDF Na Sua Porta, iniciativa que leva serviços para a população e zeladoria para as cidades do DF; além da criação de duas novas regiões administrativas, 26 de Setembro e Ponte Alta.

Ao assumir o cargo de governadora, Celina herdou desafios no DF, principalmente com gargalos nas áreas de saúde e educação, além de turbulências e polêmicas envolvendo o BRB. Ela costuma falar que deixou um legado por onde passou em quatro mandatos. “Eu tenho quatro mandatos, sou especialista em grandes problemas e em sair de grandes problemas”, frisou. Celina considera que, em cinco meses de governo, deu o exemplo do que um governante deve fazer como prioridade e que em 2027, reeleita para comandar o GDF, irá fazer mais pela população do DF. “Eu consegui ajustar as contas. Quando cancelamos o aniversário de Brasília, demos um recado para todos os secretários de que o recurso é para atender às necessidades básicas da população.”

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Ela sempre se considerou do campo político de direita/centro-direita, mantendo alianças com o eleitorado conservador e desse campo ideológico. Em sua campanha de reeleição, Celina contou com o setor bolsonarista e o apoio do PL, reforçando ainda mais a parceria com as senadoras eleitas Michelle Bolsonaro e Bia Kicis, ambas do PL. O foco da trindade sempre foi a defesa do protagonismo feminino, dos ideais religiosos e conservadores, e o fortalecimento de políticas de proteção e assistência às mulheres.

Religião e esporte

Para além dos projetos políticos, Celina se considera uma mulher de fé, muito religiosa. Ela frequenta a Catedral Baleia, um grande templo evangélico localizado na Asa Sul. Embora tenha sua vertente cristã definida, a mandatária também prestigia eventos de outras vertentes religiosas, como as celebrações da missa da padroeira do Brasil, Nossa Senhora Aparecida, onde falou sobre o respeito e a tolerância entre as pessoas.

Além da fé e de seu propósito divino atribuído à trajetória política, ela tem uma forte conexão com o mundo dos cavalos e dos esportes equestres. Sua história de vida para além dos mandatos inclui uma paixão pelos animais desde a juventude.

Ela sempre faz questão de exaltar a importância do esporte como uma de suas pautas. Praticante ferrenha de futevôlei, acredita que os esportes fazem parte do dia a dia e são essenciais para a saúde mental. “Eu já vi gente saindo de depressão, de estresse, mulheres recuperando a sua autoestima”, destacou em uma agenda de campanha. A chefe do Executivo acredita que sua participação em programações esportivas incentiva que outras pessoas façam algum esporte. “O esporte sempre esteve na minha pauta como prioridade no dia a dia.” Em sua gestão, Celina priorizou projetos de revitalização de todas as quadras de esporte do DF. “O GDF Na Sua Porta mesmo revitaliza os espaços públicos, principalmente as quadras de areia, quadras de futebol, de futevôlei, os parquinhos também.”

Amizade, bastidores e lealdade

Amiga pessoal e auxiliar de confiança da governadora Celina Leão, a coordenadora de sua campanha de reeleição, Giselle Ferreira — que esteve à frente da Secretaria da Mulher e da Secretaria de Desenvolvimento Social, pasta da qual se afastou temporariamente para assumir o comando da campanha, com previsão de retorno ao cargo —, contou ao Jornal de Brasília que conhece Celina desde muito jovem. “Nossa história começou na militância estudantil e partidária, quando tínhamos muitos sonhos e a vontade de fazer a diferença na vida das pessoas.”

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Desde então, elas enfrentaram muitos desafios, conquistas e momentos que fortaleceram a amizade e que Giselle acredita que se refletem na trajetória política de Celina. “Eu conheço a mulher por trás da vida pública: a mãe, a esposa, a amiga, a mulher de fé e de coragem. Uma pessoa que enfrenta desafios, que não desiste facilmente e que tem uma característica muito própria: o abraço”, frisou.

Giselle destaca que Celina olha nos olhos, pega na mão, acolhe e carrega no ombro. Esse traço, somado ao incômodo com o sofrimento alheio e à incapacidade de passar indiferente pela necessidade de quem mais precisa, sempre foi e continuará sendo essencial na gestão da governadora. Outro ponto que Giselle destacou que a trouxe até o cargo foi a busca pelos direitos das mulheres e representatividade no meio. “Também acompanhei sua luta pelos espaços de liderança e pela defesa dos direitos das mulheres, em um ambiente que ainda impõe tantos desafios às mulheres. Estar ao lado dela durante tantos anos é compartilhar uma história de lealdade, trabalho e propósito”, disse. Mais do que testemunhar sua trajetória política, Giselle considera que teve o privilégio de conhecer de perto a pessoa em quem ela se tornou.

A ligação com a família de Giselle também é profunda. Nos momentos em que o pai de Giselle esteve internado com câncer, mesmo debilitado e sem se lembrar de muitas coisas devido ao seu estado de saúde, ele profetizou que Celina seria presidente da Câmara Legislativa. “A nossa ligação de família, de amizade, é grande. E mesmo naquela correria, na hora em que ela ficou sabendo que meu pai tinha sido internado, ela foi a primeira pessoa a visitá-lo. Ela é desse jeito. Se você precisar de qualquer coisa em um momento difícil, ela vai estar ao seu lado sempre. Essa é a nossa querida governadora Celina Leão.”

Giselle citou ainda um episódio marcante dessa convivência, ocorrido no início da caminhada política, antes mesmo de Celina ter mandato. Na ocasião, Celina recebeu a missão de resgatar a presença do ex-governador Joaquim Roriz na cena política da capital. Giselle conta que, na época, Roriz havia se isolado em sua fazenda e não atendia a lideranças políticas. Celina chamou a amiga para ir ao seu encontro sem ter o endereço exato ou GPS, guiando-se apenas por informações dadas na estrada.

Quando chegaram ao local, depois de horas conversando sobre a vida no campo, produção de leite e pão de queijo — sem nada sobre política —, Celina usou seu poder de persuasão para cumprir o objetivo da viagem. Como relembra Giselle: “Ela virou para ele e disse: ‘Governador, nem o Fernando Henrique conseguiu falar com o senhor, mas o povo está querendo que você volte, as pessoas estão com saudade’.” Giselle lembra que ele aceitou de bom grado o chamado e pediu para marcar a reunião de retorno. “Esse é o jeito dela: determinada, com jeitinho, sem desistir até alcançar o resultado.”

Chefe de gabinete e amiga pessoal de Celina, Juliana Bonfante trabalha junto com ela desde 2011. Para Juliana, a determinação é uma das qualidades que mais chamam atenção em Celina e o que a levou até o Palácio do Buriti. A amiga ilustra isso com um relato de uma época muito agitada da vida de Celina, em 2014, que, mesmo com um mandato na Câmara Legislativa, resolveu voltar a estudar e ingressou na faculdade de Direito. “E aos trancos e barrancos ela foi fazendo, e eu sempre cuidei da agenda dela, tive que administrar o tempo dela na faculdade que era presencial na época e na Câmara.” Juliana reforçou que Celina sempre gostou de estar na rua com a população, fazendo um trabalho de corpo a corpo. “Ela nunca foi uma parlamentar de gabinete, ela gosta muito de ir para a rua. Isso me admira.”

Para Juliana, também é marcante o fato de Celina ser uma pessoa muito leal à família e às pessoas que estão com ela, ao mesmo tempo em que não quer deixar ninguém para trás. Juliana observa, nesses anos todos de trabalho, que a pessoa em quem Celina se tornou é diferenciada. “Por ela saber tratar todo mundo por igual, ela costuma dizer assim: ‘me deixa cuidar das pessoas’. E é isso que eu vejo dela. Eu trabalho há muitos anos com ela e vejo que é dela, não é forçado, ela gosta de cuidar das pessoas”, disse.

Juliana admira Celina como pessoa, mas também como a profissional que conseguiu chegar ao cargo de governadora, destacando que ela gosta de escutar as pessoas. “Se alguém chegar contando uma situação para Celina, ela não vai olhar para o lado. Ela quer ajudar e sem fazer isso porque está na frente das câmeras”, afirmou. Para Juliana, Celina mostrou que é uma governadora que cuida, confere, fiscaliza e enxerga cada detalhe do que precisa ser feito. “Eu acho a Celina diferente por conta desses detalhes do dia a dia”, finalizou.

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