Lixo e entulho tomam espaços públicos e preocupam moradores do DF
Por Arthur Leal
O Distrito Federal enfrenta problemas de limpeza pública, especialmente em regiões periféricas. Nesses locais, o acúmulo de lixo, os atrasos na coleta e o descarte irregular de resíduos afetam o cotidiano da população. Para entender a dimensão do problema, o Jornal de Brasília percorreu o Recanto das Emas, uma das regiões administrativas afetadas, e ouviu moradores sobre as dificuldades enfrentadas e as condições de limpeza dos espaços públicos.
Virgulino Gomes, de 80 anos, morador do Recanto das Emas há 21 anos, explica que os problemas relacionados ao descarte de entulho e lixo estão entre os que mais o incomodam na região. “Moro aqui no Recanto das Emas há bastante tempo. É um local muito maravilhoso, mas tem algumas coisas que precisam melhorar, porque o povo não tem cuidado e joga lixo em qualquer canto”, relata.

O morador explica ainda que a falta de locais adequados para o descarte de resíduos contribui para que parte da população deixe o lixo nas ruas. Segundo ele, os materiais espalhados atraem animais, provocam mau cheiro e podem obstruir bueiros. Virgulino também cobra providências do poder público para melhorar a estrutura de coleta e reforçar a fiscalização. “O SLU precisa tomar providências e reforçar a fiscalização dos locais onde o lixo é descartado, principalmente onde há contêineres. Às vezes, os equipamentos disponibilizados são pequenos demais para comportar todo o lixo produzido”, afirma.

Outra residente da região administrativa, Thaís Bezerra, também destaca a necessidade de ampliar os locais apropriados para o descarte de resíduos. “Também é preciso disponibilizar mais pontos para o descarte de entulho, como os papa-entulhos, e ampliar esse tipo de estrutura para atender melhor à população”, defende. Thaís afirma que a coleta ocorre regularmente em alguns locais, mas não atende todos os bairros da mesma forma. Com isso, o lixo pode se acumular em frente às residências, favorecendo a proliferação de insetos, o mau cheiro e a presença de animais.

Thaís também ressalta a necessidade de instalar mais contêineres para o descarte de lixo doméstico e ampliar os pontos de recebimento de entulho. Segundo ele, quando não há espaço suficiente para acomodar os resíduos, os moradores precisam recorrer a estruturas disponíveis em outros locais. “Deveria haver mais pontos para descarte de entulho e mais contêineres para o lixo doméstico. Dependendo da quantidade, não dá para deixar tudo na porta de casa. Aqui, por exemplo, a gente leva o lixo para o contêiner de uma loja que fica na esquina”, relata.

Segundo o Serviço de Limpeza Urbana (SLU-DF), de outubro de 2025 a outubro de 2026 foram recebidas 453 solicitações de limpeza de descarte irregular. Quando perguntado sobre como fazer denúncias de acúmulo de lixo, a autarquia explica que as equipes de limpeza são acionadas para atender às solicitações de Ouvidoria em até sete dias. O SLU ressalta que, também, segue um cronograma diário de remoção de entulhos e realiza vistorias semanais nos pontos críticos para realizar nova limpeza, caso necessário. As denúncias devem ser feitas pela Secretaria DF Legal.

O Jornal de Brasília procurou a Administração do Recanto Das Emas para buscar esclarecimento sobre os problemas de descarte de lixo, mas não obtivemos resposta.
