Quem é Gadi Eisenkot, ex-chefe do Exército que desafia Netanyahu na eleição de Israel
Israel vai às urnas nesta terça-feira (27) na primeira eleição desde o ataque do Hamas de 7 de outubro de 2023. O principal desafiante do primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, é o ex-chefe do Estado-Maior das Forças de Defesa de Israel (FDI) Gadi Eisenkot, que lidera o partido Yashar. As últimas pesquisas o colocam à frente do Likud, de Netanyahu, mas nenhum dos dois blocos alcança as 61 cadeiras necessárias para formar governo no Knesset, o Parlamento, que tem 120.
Quem é Eisenkot
Eisenkot serviu nas FDI por 41 anos, comandou tropas na Cisjordânia durante a segunda intifada e participou da guerra de 2006 contra o Hezbollah. Foi chefe do Estado-Maior de 2015 a 2019. Em 2006, aplicou a chamada doutrina Dahiyeh, de resposta desproporcional a ataques, e a ONU afirmou à época que o bombardeio violou o direito humanitário.
Em 2023, entrou no gabinete de guerra de Netanyahu como observador e saiu oito meses depois, criticando a condução do governo. Fundou o Yashar em 2025. Filho de imigrantes marroquinos, seria, segundo a Reuters, o primeiro premiê de origem mizrahi. Um filho e dois sobrinhos dele morreram em combate em Gaza.
O que defende
- Hamas: destruir o poder militar do grupo, com prazo de 18 meses para desmantelar sua ala militar e a liderança;
- Irã: impedir que o país obtenha capacidade nuclear militar, por acordo diplomático verificável ou, se a diplomacia falhar, por outras medidas;
- Estado palestino: é contra a criação, mas considera a Autoridade Palestina preferível ao domínio do Hamas;
- Ultraortodoxos: é contra isenções gerais do serviço militar e propõe isenção limitada, equivalente a 3% de cada coorte, para o estudo da Torá;
- Coalizão: não pretende se aliar a partidos que representem árabes israelenses.
Pesquisas e a disputa por 61 cadeiras
As três principais pesquisas, divulgadas na sexta-feira (23), dão ao Yashar de 22 a 23 cadeiras e ao Likud de 19 a 21. O bloco de Netanyahu aparece com 50 cadeiras, o da oposição, com 52 a 56, e os partidos árabes, que ficam fora dos dois blocos, com 14 a 16. O Canal 14, visto como alinhado ao primeiro-ministro, é o único que o dá vencedor, com 62 cadeiras. Hoje, o bloco de Netanyahu tem 64. As pesquisas não podem ser divulgadas antes do fim da votação.