Trump sofre dura derrota nas eleições de meio de mandato

Os eleitores americanos entregaram ao Partido Democrata, de oposição, o controle da Câmara dos Representantes e do Senado. O resultado avançou até redutos historicamente republicanos e encerra o controle unificado do Congresso que os republicanos detinham desde o início do segundo mandato de Trump.

A vitória democrata encaixa-se no padrão histórico das eleições de meio de mandato. Desde 1946, das 21 eleições desse tipo (incluindo a de 2026), o partido do presidente perdeu cadeiras na Câmara em 19 ocasiões. Apenas duas exceções romperam a regra: em 1998, sob Bill Clinton (+4 cadeiras), e em 2002, sob George W. Bush (+8). A média de perdas na Câmara gira em torno de 26 assentos. Em 2026, os republicanos de Trump seguiram o script, com os democratas projetados para ganhos substanciais na Câmara e a virada de ao menos sete cadeiras no Senado.

Os resultados foram particularmente surpreendentes em estados profundamente republicanos. No Texas, James Talarico derrotou Ken Paxton e se tornou o primeiro democrata eleito para o Senado pelo estado desde 1988; Gina Hinojosa venceu o governador Greg Abbott, pondo fim a décadas de domínio republicano. No Kansas, Adam Hamilton elegeu-se senador — o primeiro democrata desde 1932. Na Carolina do Sul, Annie Andrews superou a candidata republicana. Outras viradas ocorreram em Iowa, Ohio (com o retorno de Sherrod Brown), Carolina do Norte e Maine. Na Câmara, os democratas avançaram em distritos que Trump havia vencido com margens amplas em 2024.

Pesquisas de boca de urna apontaram o custo de vida como o principal fator para a maioria dos eleitores, ao lado de preocupações com a guerra no Irã e denúncias de corrupção. A aprovação de Trump estava em torno de 32% nas vésperas da votação. O próprio presidente, que havia pedido aos eleitores que “fingissem” que ele estava na cédula, afirmou que aceitaria os resultados e que estaria disposto a trabalhar com os democratas. Em redes sociais e entrevistas, porém, minimizou o impacto sobre si: “Eu não estava na cédula e, se estivesse, teríamos vencido com uma vitória esmagadora”. Também atribuiu as perdas a candidatos e prometeu usar o poder de veto.

Com a nova maioria, os democratas passam a ter poder de fiscalização, investigações e bloqueio de indicações e legislação do Executivo nos dois anos finais do mandato de Trump. O resultado reafirma a “maldição do meio de mandato”: mesmo presidentes com alta popularidade costumam perder assentos, e os impopulares sofrem ainda mais. Em 2026, a história se repetiu pela 19ª vez desde o pós-guerra.

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