Celina confirma primeiro pagamento da venda de ativos do Master pelo BRB

A governadora Celina Leão (PP) confirmou em entrevista que ativos do Master vendidos ao Banco de Brasília (BRB) serão repassados à empresa Quadra Capital, uma gestora de fundos do mercado financeiro. A Quadra se classifica como uma instituição especializada em recuperação de ativos de alto risco. O negócio gira em torno de R$ 20 bilhões – considerando-se o valor original das negociações – e a primeira parcela, estimada em R$ 1 bilhão, já está paga, de acordo com a titular do Buriti. 

Está previsto um aporte inicial de R$ 4 bilhões, num total de R$ 15 bilhões, considerando o deságio das ações. A venda é essencial para recomposição financeira do BRB após as fraudes do Banco Master, que repassou à estatal cartas de crédito falsas ou sem lastro nos investimentos – os chamados “títulos podres”. O rombo no banco chega a R$ 12,2 bilhões. Daniel Vorcaro, dono da instituição que foi liquidada pelo Banco Central (Bacen) em novembro de 2025, tinha a venda integral do Master ao BRB como saída para as fraudes das quais é acusado. 

A Quadra Capital tem dez anos de funcionamento e seu maior investimento foi o arremate da Companhia Docas do Espírito Santo (Codesa, hoje VPorts), por R$ 106 milhões.  Segundo um de seus sócio-fundadores, Nilto Calixto, aquele era um degrau para alçar voos mais altos. A gestora é responsável por 44 fundos de investimento que somam R$ 3,9 bilhões. Pelo acordo divulgado pelo BRB, serão R$ 4 bilhões em investimento direto, enquanto o resto do montante será aplicado em fundos da própria empresa. 

A Quadra tem por estratégia, conforme seu Formulário de Referência de 2025, a alocação “de recursos de longo prazo em ativos de baixa liquidez” – ou seja investimentos que não podem ser vendidos ou convertidos em dinheiro rapidamente. A empresa está no ramo de negociação de créditos desde 2023, quando foi autorizada pelo Banco Central, à época ainda sob o comando de Roberto Campos Neto, a atuar por meio de uma subsidiária. 

O Jornal de Brasília procurou a Quadra Capital e o Banco de Brasília, mas não obteve retorno até a publicação deste texto. O espaço segue aberto, como de costume. 

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