Coletivo de escolas de dança do DF pedem ajuda para custear cirurgia de cachorra resgatada

Um grupo de artistas circenses do Distrito Federal juntou forças para uma campanha de arrecadação de fundos para custear a cirurgia de emergência de uma cachorrinha resgatada por um produtor cultural. Para Lucas Lirio, o artista e produtor que encontrou a cachorrinha, ajudar a salvar a vida da Sol, como ela foi apelidada, é o símbolo de uma luta para sensibilizar a população da capital sobre a realidade dos animais comunitários que existem em todas as regiões administrativas do DF e merecem a atenção da sociedade. Para ele, o caso reforça a necessidade de conscientização sobre o abandono e o dever compartilhado de cuidado com esses animais que já fazem parte da rotina urbana de Brasília.

Lucas contou ao Jornal de Brasília que, na terça-feira, dia 8 de julho, ele foi colar cartazes na Estrada Parque Paranoá com as informações de outros dois cachorros que havia resgatado anteriormente, quando avistou um motoqueiro parado sinalizando para os carros. “Os motoqueiros são uma classe muito unida e ele parou para prestar socorro para essa cachorrinha que estava rastejando, depois de ser atropelada, com sangue e tudo mais.”

O produtor cultural e o esposo pararam o carro e improvisaram uma maca com a tampa do porta-malas para a cadelinha, uma filhote de seis meses sem raça definida que estava no asfalto quente. Segundo o motoqueiro, ele havia parado para socorrer a cachorra, mas não tinha como tirá-la dali estando de moto e ninguém se oferecia para ajudar. Depois disso, Lucas levou a cachorrinha para o veterinário mais próximo. “Ela nem reagiu, ficou quietinha e a gente a levou para a clínica da 716 Norte chamada Pedigree.”

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Ela foi nomeada de Sol por Lucas, que, ao levá-la para o veterinário, descobriu uma fratura na pata esquerda, que vai necessitar de cirurgia. “E o rostinho estava muito ensanguentado, com pequenas escoriações e tudo mais, mas ela não teve fratura da mandíbula nem nada do tipo e aparentemente nada neurológico.” Ela ficou amuada todos esses dias, mas depois de uma semana já está apresentando melhoras, abanando o rabinho e fazendo as necessidades. “Agora ela está se recuperando. O que ela tinha era doença do carrapato, mas estamos cuidando disso.” A Sol estava com pulgas e carrapatos, devido à vida nas ruas, mas no atendimento veterinário isso também já foi tratado.

Trabalho de conscientização

Com cinco gatos, três cachorros e uma coelhinha em casa, Lucas contou que nunca negou socorro ao se deparar com um animal em sofrimento. “Eu não vou atrás, porque eu não dou conta. Mas nunca neguei socorro quando apareceu para mim”, disse. Ele afirmou que nessas últimas semanas aconteceu uma revolução em sua vida, já que resgatar esses dois cachorrinhos perdidos na Estrada Parque Paranoá o fez chegar até a terceira cachorrinha, a Sol. “Normalmente, o que eu faço é o que está ao meu alcance. E eu pago alto por isso, mas se eu não tivesse resgatado a Sol, apesar de a minha vida ser louca e caótica, eu perderia um princípio muito importante para mim, talvez eu perdesse a minha humanidade, se eu conseguisse ignorar que tinha uma cachorra atropelada.”

Para ele, ajudar deveria ser uma consciência coletiva. As pessoas costumam parabenizá-lo por resgatar a Sol ou outros animais que já salvou, mas, embora ele agradeça, ele reflete: “A gente não recebe parabéns pelas responsabilidades, por limpar a nossa casa, por ajudar um amigo. A gente não recebe parabéns por coisas que são virtudes, a gente não deveria receber parabéns por coisas que são básicas.”

No lugar dos parabéns, ele esperava que as pessoas se conscientizassem para também estender a mão para os animais de rua. “Talvez, antes de eu parar e desse motoqueiro que estava lá, passaram tantos carros. Ele estava ali há um tempo e tinha uma entrega para fazer”, disse. Lucas lembra que enquanto ele, o marido e o motoqueiro resgatavam a cachorrinha, os outros veículos buzinavam por eles estarem atrapalhando o trânsito.

Por isso, para ele é importante ver que a ação alcançou outras pessoas. A escola de dança circense Voarte Acrobacias Aéreas o ajudou com uma rifa em que os prêmios eram um mês de aula grátis na escola e uma consultoria com uma nutricionista. “Quando a Voarte acolhe, quando outras pessoas acolhem: a gente vai se curando dessa desumanidade, vai vendo pessoas empáticas e que têm valores nesse lugar.” As alunas da escola de dança também contribuíram com um valor para a vaquinha que Lucas abriu para custear tanto a cirurgia para a Sol voltar a andar quanto outros custos envolvendo os outros dois cachorrinhos resgatados.

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Para Larissa Galli, sócia da Voarte Acrobacias Aéreas, a arte só faz sentido quando também transforma a realidade ao nosso redor. “O circo nos ensina sobre acolhimento, empatia e trabalho coletivo, e esses são valores que levamos para além das apresentações”, comentou. A artista circense afirmou que poder mobilizar a comunidade para ajudar a Sol foi uma forma de mostrar que pequenos gestos, quando feitos por muitas pessoas, são realmente transformadores. A rifa foi realizada no Voarte Festival, evento que recebeu a Sol, que não podia ser deixada sozinha. “O Festival nasceu para criar um ambiente de encantamento, mas também para fortalecer laços e inspirar atitudes de cuidado, então é muito gratificante fazer parte desse movimento pela recuperação da Sol”, finalizou.

Lucas ressaltou que em Brasília existe uma superpopulação de animais de rua onde há muitas áreas que poderiam acolher, onde tem animais comunitários que precisam de cuidados. Por isso, ele afirma que o relato dele em relação à Sol é um emblema simbólico da negligência e descuido quanto a esses bichos. “Ela precisa de adoção e meu contato está super aberto, seja para ajudar na vaquinha ou outras formas de apoio. Mas para além disso, eu acho que o mais importante é tentar retomar uma semente de sensibilização para o que fazer quando você encontra um animal atropelado na rua”, exemplificou. Ele indicou que, se uma pessoa encontrar um animal em situações como essa, pode fazer o que estiver ao seu alcance naquele momento: “Você pode colocar ele na sombra, você pode avisar um amigo, não precisa fazer o resgate, é só não ignorar.”

Além disso, ele apontou que, se não puder fazer nada no momento, existem sempre as instituições não governamentais que estão na luta diária pelos animais de rua, como o abrigo Flora e Fauna, o abrigo São Francisco, entre outros. “Se você puder doar ração, se você puder fazer um gesto em prol de quem não tem fala e tem vulnerabilidade, isso já é muito benéfico.”

Saiba mais

Os outros dois cachorrinhos resgatados por Lucas na Estrada Parque Paranoá também estão esperando por adoção. Atualmente, eles estão em um lar temporário na Vicente Pires. Informações sobre como adotá-los ou ajudar no acolhimento temporário podem ser obtidas diretamente com Lucas.

Serviço

Campanha de apoio para a cirurgia da Sol

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