Inveja da Argentina. Admiração por Messi. E a lição que Neymar nunca aprendeu
Há um sentimento contraditório que tomou conta de boa parte da torcida brasileira nesta Copa do Mundo: uma mistura de inveja e admiração pela Argentina. Inveja por vê-los onde gostaríamos de estar – um sentimento que, durante décadas, os argentinos tiveram do Brasil. E admiração por uma seleção que, mesmo depois de tantos anos no topo, continua competitiva, intensa e obcecada pela vitória.
Mas talvez a imagem mais incômoda para o torcedor brasileiro nem seja a camisa azul e branca. Ela atende pelo nome de Neymar.
Durante anos, Neymar conviveu diariamente com Lionel Messi no Barcelona. Construíram uma amizade sólida, marcada por respeito, lealdade e admiração mútua. Neymar nunca escondeu que idolatra Messi. E Messi sempre fez questão de demonstrar carinho e proteção ao brasileiro.
A pergunta inevitável é: como alguém pode passar tantos anos ao lado de um dos maiores exemplos de profissionalismo da história do futebol e não incorporar quase nada desse comportamento?
Logo após eliminar a Inglaterra e garantir a Argentina na final, Messi revelou o tamanho da preparação para este Mundial: “Faz quase um ano que estou me preparando para esta Copa do Mundo. Passei dezembro na Argentina treinando em dois períodos por dia, sem parar. Sabia que precisava entregar tudo de mim.”
A diferença aparece exatamente aí. O talento sempre aproximou Messi e Neymar. O profissionalismo acabou separando suas trajetórias.
Aos 39 anos, Messi ainda trata uma Copa do Mundo como a missão mais importante da carreira. Neymar, cinco anos mais novo, pareceu acreditar que duas semanas de preparação seriam suficientes para que a genialidade resolvesse o restante.
O futebol continua premiando o talento. Mas, no mais alto nível, ele costuma recompensar ainda mais a disciplina, a obsessão e o compromisso. Foi essa a maior lição que Messi ofereceu a Neymar. E, ao que tudo indica, a única que ele nunca aprendeu.