Aleitamento materno: doar também é um ato de amor

O Hospital Santa Lúcia, em Brasília, criou o primeiro Banco de Leite Humano da rede privada no Brasil, em agosto de 2002. Trata-se de é uma opção importante para mães que produzem mais leite do que seus filhos necessitam, e desejam ajudar outras crianças que precisam do alimento.

O hospital, mesmo sendo de rede privada, realiza todo o procedimento gratuitamente, desde o acolhimento das mães ao armazenamento do leite, a pasteurização e distribuição. A equipe da Maternidade do Hospital Santa Lúcia também realiza a entrega do kit de coleta (contendo máscara, gorro, etiquetas e pote esterilizado), que pode ser realizada na residência da mãe que deseja doar. Além disso, são oferecidas pela equipe de saúde da instituição todas as orientações sobre a amamentação adequada.

Toda mulher saudável, com excesso de leite e que não esteja usando medicamentos, pode doar para o Banco de Leite Humano. Além disso, o leite coletado é submetido à pasteurização e a testes de qualidade para ser usado na alimentação dos bebês prematuros e/ou enfermos, principalmente os que ficam internados na UTIN.

O leite doado é distribuído para os bebês que estão internados na Unidade de Terapia Intensiva Neonatal (UTIN), do Grupo Santa, onde 90% das crianças são atendidas pelo Banco de Leite Humano, que é certificado pela Rede Ibero-Americana de Bancos de Leite Humano/Fiocruz e pela Coordenação Geral de Saúde da Criança e Aleitamento Materno do Ministério da Saúde como Padrão Ouro.

“O leite materno salva vidas e é importante para todos os bebês, principalmente para os que estão internados e não podem ser amamentados pela própria mãe. No Santa Lúcia, temos orgulho de ser Padrão Ouro porque atendemos a todas as exigências da Rede BLH”, explica Sheila Almeida, enfermeira supervisora do Banco de Leite Humano do Hospital Santa Lúcia.

No Brasil, apenas 45,8% das crianças com até seis meses de vida recebem exclusivamente aleitamento materno, de acordo com o Estudo Nacional de Alimentação e Nutrição Infantil (ENANI). Essa taxa, embora tenha apresentado avanços ao longo das décadas, ainda está abaixo do recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que é de 50%.

“A amamentação exclusiva, ou seja, quando a criança recebe apenas leite materno e nenhum outro alimento ou líquido, é crucial para a saúde infantil nos primeiros seis meses de vida, fornecendo todos os nutrientes necessários e protegendo contra doenças”, explica a médica pediatra e neonatologista e coordenadora da UTI Neonatal do Hospital Santa Lúcia, em Brasília, Sandra Lúcia Andrade.

Todas as formas de amamentar

O mês de agosto é dedicado ao aleitamento materno, pela campanha nacional “Agosto Dourado”. O leite materno pode reduzir em até 13% a mortalidade infantil por causas evitáveis, como diarreia e hipertensão. “A amamentação tem uma importância muito grande para as crianças, para as famílias e para a saúde pública”, afirma a médica Sandra Lúcia Andrade.

De acordo com ela, o leite materno é um alimento completo e equilibrado, por atender a todas as necessidades de nutrientes e sais minerais das crianças até os seis primeiros meses de vida. Entretanto, a especialista acredita que há muita pressão com questões que rodeiam a amamentação e que cada situação deve ser avaliada com atenção, em parceria com as necessidades tanto da mãe quanto da criança.

“Existem contextos diferentes, e eles precisam ser respeitados. Algumas situações clínicas e sociais impedem a amamentação da maneira tradicional e, nem por isso, esses bebês serão menos amados ou protegidos”, afirma a coordenadora de UTI Neonatal do Hospital Santa Lúcia.

O vínculo, estabelecido no dia a dia, acontece independentemente do momento de alimentação. “Amamentar no peito com sofrimento, sem entrega, não estabelece nenhum vínculo. Usar a mamadeira e durante esse momento estar entregue àquela situação, olhar no olho, cantar para o bebê, terá uma construção de vínculo e simbiose imensa”, completa a pediatra.

Mitos e verdades sobre o aleitamento

  • O leite industrializado é quase como um leite materno?
    Mito. O leite materno é singular. Tanto que o colostro, que sai na primeira mamada, pode ser considerado a primeira vacina do bebê.
  • O leite materno pode ser congelado?
    Verdade. Por até 15 dias, sem a perda das características e qualidade nutricional.
  • A alimentação da mãe reflete no leite?
    Verdade. Por isso, o recomendado é que a mãe tenha uma alimentação saudável. Ela também não deve ingerir bebida alcoólica.
  • Compressa de água quente ajuda com o leite empedrado?
    Mito. Na verdade, a compressa de água quente piora a situação, pois aumenta a quantidade de leite retido na mama. O empedramento acontece quando o volume de leite é maior do que o bebê necessita. Nesse caso, a indicação é massagem e extração do leite, o qual pode ser doado a um Banco de Leite.

O Banco de Leite Humano do Hospital Santa Lúcia funciona todos os dias, das 07h às 19h, e telefone para contato e doação é (61) 3445-0319.


Deixe comentário

Seu endereço de e-mail não será publicado. Os campos necessários são marcados com *.