Candidato a distrital pede impugnação do registro de Arruda por Lei da Ficha Limpa
No mesmo dia em que José Roberto Arruda (PSD) registrou a candidatura ao Palácio do Buriti, já saiu do papel o primeiro pedido de impugnação do registro do ex-governador. Na petição, protocolada junto ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE-DF) por Cláudio Ferreira Domingues, os advogados argumentam que os prazos de inelegibilidade não se esgotaram para as eleições de 2026, o que, em tese, afastaria o pessedista da corrida eleitoral até 2032 – o que, prática, só permitiria o retorno dele em 2034. Ao Jornal de Brasília, Arruda declarou que “esse pedido de impugnação foi feito por um pau mandado da Celina”, em referência à governadora Celina Leão (PP).
No documento são citadas seis condenações, todas no âmbito da Operação Caixa de Pandora e relacionadas a improbidade administrativa e enriquecimento ilícito. A viabilidade da candidatura de Arruda é questionada desde que ele anunciou oficialmente que voltaria às urnas, ainda em março, durante evento do Avante – a primeira sigla a embarcar na chapa, mas que ficou sem a vaga de vice, ocupada pelo próprio PSD.
O agora candidato mantém desde então um discurso de confiança, reforçando que “não existe punição eterna” e que acha “muito difícil que se mude um entendimento tão importante a poucos meses das eleições”. Arruda se apoia na aprovação da Lei Complementar 219/2025, aprovada no Congresso Nacional e conhecida como a legislação que altera prazos e entendimentos da Lei da Ficha Limpa.
O problema para a campanha na qual busca o retorno ao Governo do Distrito Federal é que a lei está sob análise no Supremo Tribunal Federal (STF), instado para avaliar a inconstitucionalidade do texto. Até o momento, há dois votos pela incompatibilidade da Lei com a Carta Magna do país, mas o ministro Gilmar Mendes pediu vista e não há previsão de data para que dê o voto. Caso a lei caia, não sobraria a Arruda sequer a brecha de interpretação que motivou o retorno do ex-governador à seara pública.
Novamente questionado neste domingo (16), quando iniciou oficialmente sua campanha, o ex-governador foi taxativo. “A petição não tem pé nem cabeça. Quer questionar uma lei em pleno vigor. Mas faz parte do jogo, ela quer ganhar no tapetão”, disse, trazendo a metáfora futebolística para um time que vence jogos ou campeonatos fora do campo, por meio de decisões judiciais. “Tem medo do voto, tem medo do julgamento das urnas.
Quem assina
Cláudio Ferreira Domingues é candidato a deputado distrital pelo Democratas e atuou como administrador regional do Sol Nascente e Pôr do Sol, já na gestão Ibaneis Rocha (MDB) continuada por Celina Leão. A governadora não comentou o episódio, mas é a principal beneficiária de uma possível impugnação da candidatura de Arruda, que aparece em segundo lugar – logo atrás da atual governadora – nas pesquisas divulgadas até o momento.