Celina defende Fundo Constitucional do DF e alerta para impacto de R$ 1,8 bilhão

Por Amanda Karolyne e Késia Alves

A governadora do Distrito Federal e candidata à reeleição, Celina Leão (PP), afirmou nesta quarta-feira (21) que uma mudança nas regras de reajuste do Fundo Constitucional do Distrito Federal (FCDF) pode provocar um impacto de R$ 1,8 bilhão nos cofres públicos da capital. A declaração foi feita durante uma reunião com apoiadores na Associação Brasiliense de Construtores (Asbraco), em Brasília, para mobilizar parlamentares em defesa dos recursos.

Segundo Celina, a estimativa é do Instituto de Finanças do Senado. A governadora afirmou que a alteração pode comprometer o planejamento orçamentário do DF e afetar a capacidade de contratação de profissionais para serviços públicos.

“Você contrata médico, você contrata policiais, você contrata bombeiros. Tudo isso com o fundo. Se você tem uma redução de R$ 1,8 bilhão, como é que você vai fazer novas contratações? Como você vai fazer uma previsão de reajuste?”, questionou.

A mudança mencionada pela governadora está relacionada a uma legislação aprovada pelo Congresso Nacional que, segundo ela, pode condicionar o reajuste dos fundos constitucionais à situação fiscal dos estados. Celina afirmou que a previsão de déficit orçamentário para o próximo ano pode fazer com que o Distrito Federal seja afetado pela regra.

“Quando você faz a previsão orçamentária para o ano que vem, eu faço em cima da lei que eu tenho do Fundo Constitucional. […] Com essa legislação aprovada, eles podem reduzir o cálculo desse reajuste do Fundo Constitucional”, declarou.

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GDF acionou o Supremo

Celina afirmou que o governo local entrou com uma ação no Supremo Tribunal Federal (STF) para questionar tanto o procedimento de votação quanto o conteúdo da alteração legislativa.

“O tema da votação era petróleo e eles entraram com esse tema e votaram remotamente. Eu acredito que muita gente não sabia nem o que estava votando”, afirmou.

A governadora disse que o relator do caso no STF é o ministro Cristiano Zanin e que há expectativa de que a Câmara dos Deputados seja ouvida no andamento da ação. Por isso, ela considera importante buscar o apoio do presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), com quem Celina pretende se reunir na próxima semana.

Resultado da reunião

A reunião na Asbraco resultou em dois encaminhamentos, segundo Celina. O primeiro é o envio de um documento ao candidato à presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e à deputada federal Bia Kicis (PL-DF), com o objetivo de obter o compromisso de atuação contra mudanças nas regras do Fundo Constitucional.

O segundo é a realização de uma reunião com Hugo Motta na próxima semana. A intenção, segundo a governadora, é sensibilizar o presidente da Câmara sobre os questionamentos apresentados pelo governo do DF à legislação.

“Hoje nós temos a maioria do Senado do nosso campo político. Então, de qualquer forma, nós vamos rever isso, seja pelo Judiciário, seja por uma lei”, declarou.

A governadora afirmou ainda que o governo pretende continuar mobilizando parlamentares para defender os recursos do fundo. “Este ato é um ato dos nossos deputados federais, deputados distritais e senadores em defesa do nosso fundo”, disse, juntamente com os apoiadores. “O Fundo Constitucional é do DF.”

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