Celina Leão nega veementemente participação em negociação entre BRB/Master
A governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), rebateu as alegações de que teria participado de negociações para a aquisição do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB). Em nota oficial divulgada por sua assessoria de imprensa, o Governo do Distrito Federal (GDF) afirmou que “não é verdade que a governadora tenha participado de qualquer tipo de negociação” e sustentou que as próprias declarações do ex-banqueiro Daniel Vorcaro comprovam que Celina foi contrária à transação, pelo menos seis meses antes de a operação policial culminar na prisão do executivo.
Segundo a nota do GDF, registros de conversas entre terceiros e reportagens da época — como a publicada pelo jornal O Globo em abril de 2025 — demonstram que, logo após o anúncio da futura transação em março daquele ano, a então vice-governadora manifestou publicamente sua oposição ao negócio, não descartando a possibilidade de rever a operação assim que assumisse o comando do Palácio do Buriti.
A manifestação oficial ocorre após a divulgação de mensagens de texto datadas de abril de 2025, obtidas e publicadas pela Folha de S.Paulo. Nos diálogos, Daniel Vorcaro afirmava que Celina Leão teria participado das tratativas e que sua postura pública contrária não passava de um “jogo pra se preservar na política”. Em resposta ao jornal, a governadora reiterou que nunca foi consultada sobre a compra e reafirmou sua rejeição ao acordo.
A tentativa de aquisição do Master pelo BRB ocorreu no esteio de uma série de compras de carteiras de crédito ainda tendo Ibaneis Rocha (MDB) à frente do GDF e Paulo Henrique Costa como presidente do banco. Conforme investigações da Polícia Federal, a transação envolveu a transferência de cerca de R$ 17 bilhões ao Banco Master, dos quais R$ 12,2 bilhões seriam referentes a títulos falsos.
Sem mensagens
Ainda de acordo com a nota. “a matéria, na verdade, confirma a posição de Celina desde o início. Não existe uma mensagem da governadora para Daniel Vorcaro. Não existe uma mensagem de Daniel Vorcaro para ela. Não existe reunião, ligação, documento ou qualquer registro que demonstre a participação dela na negociação para a compra do Master”.
“O que existe é Daniel Vorcaro, hoje investigado e preso, falando sobre ela para uma terceira pessoa também investigada e tentando interpretar as posições políticas dela. Ela não responde pelo que Daniel Vorcaro diz sobre ela. Responde pelos seus atos”, afirma o complemento da nota.