Comércio e bares do DF entram no clima da Copa e apostam em alta nas vendas
A pouco mais de um mês do início da Copa do Mundo de 2026, o comércio do Distrito Federal já começou a sentir os primeiros sinais da movimentação típica do torneio. Em lojas de artigos para festas, bares, restaurantes e até no setor de eletrônicos, empresários apostam em crescimento nas vendas e reforçam estoques para aproveitar o clima de expectativa em torno da Seleção Brasileira.
Segundo o Sindicato do Comércio Varejista do Distrito Federal (Sindivarejista-DF), a expectativa é de que as vendas de produtos relacionados ao Mundial cresçam 8,4% neste ano, acima dos 6,2% registrados na Copa de 2022. Entre os itens mais procurados estão camisetas, bandeiras, bonés, bandeirolas, apitos e acessórios nas cores verde e amarela.
Para o presidente do Sindivarejista, Sebastião Abritta, a duração inédita da competição, que terá 39 dias, deve ajudar a manter o consumidor mobilizado por mais tempo. “Porque a Copa do Mundo paralisa o Brasil em dias de jogos do nosso selecionado e contagia até mesmo quem não tem por hábito curtir o futebol”, afirma.
O dirigente também destaca que o comércio começou a se preparar ainda em março, principalmente os setores ligados a material esportivo, decoração e eletrônicos. A expectativa é de aumento nas vendas de televisores, especialmente caso o Brasil avance até as fases finais da competição.
Movimento ainda tímido nas lojas
Apesar da expectativa positiva, alguns comerciantes avaliam que o consumidor final ainda não entrou totalmente no clima da Copa. É o caso de Lucas Moura, diretor comercial da loja Casa e Festa, com produtos para artigos de festas e decoração no DF. Segundo ele, as compras antecipadas têm sido feitas principalmente por empresas e bares. “Os CNPJs compram antes para decorar lojas e bares. Isso acontece em toda Copa. Já o consumidor final costuma deixar para a última hora, um ou dois dias antes dos jogos”, explica.
Mesmo com a movimentação ainda moderada, ele percebe crescimento na procura por itens ligados à experiência pessoal do torcedor, mais do que na decoração das ruas e casas, tradição que vem diminuindo ao longo dos anos. “A decoração das casas e dos bairros caiu bastante, mas os adereços pessoais cresceram muito. Chapéu, pintura de rosto, vuvuzela e acessórios estão saindo bastante”, conta.
Entre os produtos mais procurados estão bandeiras, bandeirolas, álbuns e figurinhas da Copa, além de snacks e petiscos que costumam compor as reuniões entre amigos durante os jogos. A expectativa do comerciante é fechar o período da Copa com crescimento de 15% no faturamento em relação ao mesmo período do ano passado.
Segundo o Sindivarejista-DF, os produtos mais procurados para a Copa do Mundo, camisetas e bonés, seguem liderando as vendas no comércio do Distrito Federal, O comerciante, Jorge Magno, dono da Magno Imports, já percebe um aumento na procura em comparação ao ano passado e afirma que os modelos de camisetas mais tradicionais da Seleção Brasileira continuam sendo os favoritos dos clientes. “Me preparei meses antes para conseguir atender a demanda”, afirma o comerciante
A engenheira de dados Catarina Macedo, de 24 anos, já começou a procurar o visual que pretende usar durante o Mundial. Apesar de não acompanhar futebol com frequência, ela conta que é impossível não entrar no clima da Copa junto com os amigos. “É um momento de pertencimento também. É contagiante”, diz.
Para ela, o preço ainda pesa na escolha das peças, mas a busca vai além da economia. Catarina afirma que tem procurado alternativas que fujam um pouco das camisas tradicionais da Seleção. “Tenho buscado não apenas um bom preço, mas personalidade também. O tradicional é legal, mas gosto de deixar meu traço”, comenta.
Além das roupas, a decoração para assistir aos jogos também já começou a ser planejada. Catarina conta que ela e os amigos já marcaram encontros para acompanhar as partidas em casa e garantem que não vão faltar cornetas, fitilhos e bandeiras espalhadas pelo ambiente. “A gente já está organizando tudo no grupo para decorar junto. Acho que isso é o que deixa tudo mais divertido”, afirma.
Segundo ela, a Copa do Mundo é uma experiência que acontece só de quatro em quatro anos e, por isso, acaba se tornando um momento especial, que vai além do futebol. “Se tem uma coisa que o brasileiro tem, é esperança”, conclui, na torcida pelo hexacampeonato da Seleção Brasileira.
Bares apostam em experiência e clima de estádio
Se nas lojas o movimento ainda é gradual, nos bares a Copa já começa a mudar a rotina. No setor de alimentação fora de casa, empresários apostam em casa cheia, reservas antecipadas e programação especial para transformar os dias de jogo em verdadeiros eventos.
No Complexo Fora do Eixo, a expectativa é de forte crescimento no fluxo de clientes durante o torneio. Segundo a direção do espaço, a confirmação da lista oficial dos convocados da Seleção ajudou a aumentar ainda mais o interesse do público. “A expectativa segue muito alta. Com a lista confirmada, a gente já sente a galera entrando no clima. Os horários dos jogos favorecem muito o nosso setor e a procura aumenta a cada semana”, afirmam os responsáveis pelo complexo.
O movimento já pode ser percebido nas reservas de mesas e lounges. Segundo o estabelecimento, muitos clientes já começaram a frequentar o espaço usando camisetas da Seleção e roupas nas cores do Brasil, antecipando o clima de arquibancada.
No Bar e Sinuca da Ivanete, na 507 Sul, as cores verde, amarelo e azul já tomaram conta do espaço. Bandeirolas, fitilhos, quadros e camisetas da Seleção Brasileira espalhados pelas paredes anunciam que a Copa do Mundo está chegando. Pela segunda vez, dona Ivanete Ferreira prepara o bar para receber os torcedores brasilienses em clima de arquibancada.
Além das duas televisões já instaladas no local, uma terceira, maior, deve chegar nos próximos dias para reforçar as transmissões dos jogos. A expectativa, segundo ela, é de casa cheia. “Eu espero que essa Copa seja boa para todo mundo, né? E que todos os meus clientes apareçam aqui. Já temos duas TVs e ainda vou colocar uma maior para o pessoal vir assistir aos jogos com a gente”, conta dona Ivanete.
A empolgação da comerciante também vem acompanhada da esperança pelo hexa da Seleção Brasileira. “As expectativas são altíssimas. Nós vamos ganhar sim, com certeza”, diz, entre risos.
Amizade verde e amarela
A decoração do bar ganhou reforço de uma amizade de décadas. Wilson Santos, conhecido pelos clientes como Goiano, ajudou dona Ivanete a transformar o espaço para a Copa, assim como já havia feito no Mundial de 2022. Os dois se conhecem há cerca de 30 anos. “Foi tudo feito com muito amor. A expectativa está alta e a gente quer ver o Brasil campeão esse ano”, afirma Wilson.
Frequentador antigo do bar, Celso Bastos, conhecido como Celso Gaúcho, também já entrou no clima da competição. Cliente desde a inauguração do estabelecimento, ele diz que o ambiente ajuda a criar o espírito de torcida entre os moradores da região. “Fica bom demais. A Asa Sul nunca teve muito isso e agora está tendo. É muito bom ver o bar todo decorado e o pessoal reunido para torcer junto”, comenta.
Morador de Brasília há mais de três décadas e amigo de longa data de dona Ivanete, Celso garante presença nos dias de jogo. “Com certeza vou assistir aqui. E não só nós daqui, né? Que venha mais gente de outros lugares para acompanhar os jogos aqui também”, afirma.
Mais do que movimentar as vendas e lotar bares, a Copa do Mundo volta a transformar espaços simples da cidade em pontos de encontro entre amigos, vizinhos e clientes antigos. E enquanto comerciantes apostam em um período de faturamento maior, a torcida brasiliense segue alimentando outra expectativa: a de ver a Seleção levantar o hexacampeonato, de preferência, com o bar cheio e todo mundo comemorando junto.