Economia prateada cresce no DF
Esses números, segundo o economista César Bergo, são esperados. “Geralmente as pessoas trabalham até 60 anos, depois aposentadas, muitas delas vão buscar outras atividades. Aquele profissional que a vida toda trabalhou em determinada área, vai fazer isso depois que se aposentar também”, explica.
No entanto, há dois aspectos para serem considerados. O primeiro é a perenidade da empresa, ou seja, pode ter sido um negócio criado quando a pessoa era mais jovem e continuou à frente quando chegou à terceira idade. E o segundo refere-se quando o trabalhador, ao se aposentar, busca uma outra atividade profissional e opta por abrir uma empresa.
O caso de Higino França se enquadra na primeira situação. Dono da Casa de Moldura, ele fundou o negócio em 1989. Hoje, aos 70 anos, continua à frente da empresa. “Fundei a Casa da Moldura quando Brasília só era atendido no serviço de molduras através das vidraçarias. Vi ali a oportunidade de criar uma loja especializada em molduras, sendo a primeira loja especializada em molduras no Distrito Federal”, conta.
Para ele, a economia está se abrindo cada vez mais para o público sênior. “O mercado está aberto para atividades para essas pessoas que hoje tem uma renda muito boa, mas que já estão na aposentadoria ou sobrevivendo daquilo que construíram ao longo do tempo”, defende.
A gestora 60+ na Unidade de Empreendedorismo Feminino, Diversidade e Inclusão do Sebrae, Gilvany Isaac explica que, entre as vantagens de se empreender nesta época da vida, estão a maturidade emocional, a experiência profissional, a capacidade de tomada de decisão mais consciente, o networking construído ao longo da vida e uma visão mais clara de propósito.“Muitos empreendedores 60+ sabem exatamente o que querem, conhecem bem seus limites e tendem a assumir riscos de forma mais responsável”, defende.
Desafios
Apesar da tendência, os empreendedores seniores precisam lidar com desafios diferentes dos jovens. A adaptação às transformações digitais, o acesso à políticas públicas e o preconceito etário podem ser alguns obstáculos a serem superados.
“Muitos começam a empreender por necessidade de complementar renda ou por desejo de manter-se ativos após a aposentadoria, o que exige planejamento cuidadoso”, destaca Gilvany.
Na avaliação de Higino, os desafios ainda estão ligados à identificação do mercado a ser atingido, a mão de obra especializada e a adaptação aos novos momentos. Ele defende que é preciso estar em constante atualização com as novas tecnologias que surgem. “Quem não evolui, quem não acompanha o mercado, fica fora dele”, afirma.
Para o economista César Bergo, a implementação de políticas públicas é fundamental para superar os obstáculos. Entre elas, oferecer treinamentos e atividades focadas no aperfeiçoamento do trabalho.
“O importante é que haja por parte do poder público, não só poder privado, o elenco de atividades que possam ser de alguma forma direcionadas a esse público, tanto do ponto de vista de empreendedorismo, como do ponto de vista de negócios”, ressalta.
A superação passa, principalmente, por capacitação contínua, atualização em temas como tecnologia e gestão, fortalecimento da autoconfiança e uso estratégico da vasta experiência profissional e de vida acumulada. Redes de apoio, mentorias e programas especializados também fazem toda a diferença nesse processo.
Visando superar esses desafios, o Sebrae ampliou a atuação junto ao público 60+, reconhecendo o empreendedorismo sênior como um vetor estratégico de desenvolvimento econômico e social. Por meio do Programa Sebrae Futuridade 60+, por exemplo, são oferecidas ações de capacitação, orientação técnica, conteúdos customizados, eventos, oficinas e programas de estímulo ao protagonismo empreendedor na maturidade.
“O Sebrae atua para sensibilizar o mercado, parceiros e o próprio ecossistema empreendedor sobre o valor da longevidade produtiva, promovendo inclusão, combate ao etarismo e incentivo a negócios sustentáveis liderados por pessoas com mais de 60 anos”, explica Gilvany.
E para quem deseja empreender na terceira idade, Higino deixa um recado. O empresário afirma que o principal é a preparação. Além disso, é necessário entender a composição de custos da empresa e o ponto de equilíbrio.
“Tem que entender o que está por trás do balcão, como eu costumo dizer. É a questão da contabilidade, dos impostos, do mercado, os desafios que estão por trás daquilo que é a atividade principal. E nunca é tarde para começar. Basta ter a sua cabeça lúcida, o resto você vai conquistando”, acrescenta.