Homem de confiança de Trump confirma haver providenciado jato que levou Flávio aos EUA
Jason Miller, assessor de comunicação da Casa Branca, confirmou nesta quinta-feira (29) que organizou o jato particular usado pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e sua família na viagem da Argentina para o exílio nos Estados Unidos. A informação sobre o envolvimento da Casa Branca havia sido publicada inicialmente pelo The New York Times. Miller afirmou ter participado do plano para levar o candidato derrotado na eleição presidencial brasileira ao território americano.

Donald Trump autorizou a entrada temporária de Flávio e de seus familiares por meio do mecanismo de “parole”, usado em casos de razões humanitárias urgentes ou de benefício público significativo. Segundo o NYT, o senador “provavelmente terá uma residência permanente assegurada posteriormente”. O Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos confirmou que a família passou por inspeção do Serviço de Alfândega e Proteção de Fronteiras e foi liberada. Na quarta-feira, Trump declarou publicamente que Flávio havia recebido permissão para entrar no país.
O jato utilizado é um Gulfstream G400, de matrícula LV-JQW, operado pela empresa argentina Baires Fly. A aeronave comporta até 13 passageiros em poltronas que podem ser convertidas em seis camas. Atinge velocidade de 935 km/h.
Uma autoridade americana ouvida pelo New York Times afirmou que Flávio deve solicitar o green card (residência permanente) e que o processo pode ser acelerado, como ocorreu com o ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), irmão do senador, que obteve o documento em julho deste ano. O jornal também apontou indícios, com base em registros públicos, de que Flávio apresentou um passaporte diplomático brasileiro já cancelado na chegada aos EUA.
Na segunda-feira (26), a Polícia Federal solicitou que o senador entregasse seus passaportes em até 24 horas. A medida ocorreu em meio a investigações sobre vínculos com o advogado Willer Tomaz (acusado de lavagem de dinheiro em esquema de jogos de azar online) e sobre a arrecadação de recursos para o filme Dark Horse, sobre Jair Bolsonaro, com dinheiro atribuído ao banqueiro Daniel Vorcaro. Como Flávio não entregou os documentos até a manhã de terça-feira, as autoridades brasileiras os cancelaram e emitiram alerta migratório para impedir sua saída do país. A PF informou que não tem registro oficial da saída do senador e investiga as circunstâncias da viagem e possível descumprimento de determinações judiciais. Ressaltou, porém, que restrições de circulação e o cancelamento de documentos não tornam automaticamente alguém foragido nem justificam prisão por si só.
Segundo autoridades migratórias argentinas citadas pelo NYT, Flávio, a esposa e as duas filhas entraram na Argentina às 22h50 de terça-feira pela Ponte da Fraternidade, que liga Foz do Iguaçu (PR) a Puerto Iguazú. Cerca de 40 minutos depois, embarcaram no jato da Baires Fly com destino a Guayaquil, no Equador, de onde seguiram para Miami, chegando na manhã de quarta-feira. A polícia federal argentina, em um momento, afirmou não ter registro da entrada da família.
Uma pessoa familiarizada com a logística disse ao jornal que o plano começou a ser organizado na segunda-feira, após a ordem para entrega dos passaportes. O presidente argentino Javier Milei não comentou o caso. A Casa Branca remeteu às declarações públicas de Trump.
Após chegar a Miami, Flávio divulgou uma carta em que se diz alvo de perseguição política e agradeceu a Trump e a Milei. Inicialmente se apresentou como o “verdadeiro presidente eleito do Brasil”, mas depois alterou o trecho para “líder do Brasil”. No final do documento, manteve a afirmação de que seria o presidente eleito e alegou fraude na eleição, sem apresentar provas.