IFI recomenda gestão fiscal cautelosa em 2026, ano eleitoral e de Copa
A Instituição Fiscal Independente (IFI) recomenda que o governo federal concentre esforços em uma gestão fiscal de curto prazo em 2026, adiando medidas estruturais em meio a eleições presidenciais e à Copa do Mundo. A avaliação consta no primeiro Relatório de Acompanhamento Fiscal (RAF) do ano, divulgado nesta quinta-feira (29).
Segundo o documento, em um ano eleitoral, é improvável a adoção de medidas fiscais ousadas, como aumentos de tributos ou cortes expressivos de gastos. A estratégia deve se limitar ao cumprimento formal da meta fiscal, com foco em zerar o déficit primário, em vez de alcançar o centro da meta de superávit de 0,25% do Produto Interno Bruto (PIB). A IFI estima que um superávit primário superior a 2% do PIB seria necessário para estabilizar a trajetória da dívida pública.
O diretor da IFI, Alexandre Andrade, destacou que ações corretivas para a dinâmica das contas públicas, especialmente no lado das despesas, são difíceis em período eleitoral. Ele alertou que perseguir apenas o limite inferior da meta, como ocorrido em 2024 e 2025, pode comprometer a credibilidade da política fiscal. O relatório é assinado também pelo diretor-executivo Marcus Pestana.
Apesar de a economia brasileira estar aquecida, com o hiato do produto estimado em 0,5% no terceiro trimestre de 2025, a IFI projeta um resultado primário estrutural negativo de 0,9% do PIB, indicando fragilidades na dinâmica fiscal de médio prazo. O déficit primário legal de 2025 foi de R$ 9,5 bilhões (0,1% do PIB), enquanto o déficit efetivo atingiu R$ 61,7 bilhões (0,5% do PIB). Embora a meta tenha sido formalmente cumprida dentro da tolerância, o resultado contribuiu para o aumento da dívida bruta do governo central.
A arrecadação federal cresceu 3,2% acima da inflação em 2025, apesar da desaceleração da atividade econômica. No entanto, as despesas primárias avançaram 3,4% em termos reais, atingindo 18,8% do PIB. Essa disparidade elevou a dívida pública em 7,3 pontos percentuais do PIB entre dezembro de 2022 e novembro de 2025, alcançando 79% do PIB.
O relatório analisa ainda o Orçamento-Geral da União de 2026, apontando que alterações elevaram as despesas fora do teto de gastos de 6,7% para 8,2% do total, equivalendo a R$ 230,7 bilhões excluídos. Para a IFI, essas mudanças fragilizam o arcabouço fiscal. Além disso, a capacidade de investimento do governo é baixa, com investimentos somando apenas 0,76% do PIB e 3,9% das despesas líquidas totais, refletindo o estrangulamento do orçamento e obstáculos ao crescimento sustentável. As informações foram retiradas da Agência Senado.