Instituição, de 35 anos, promove convivência de idosos com forró 

Redação Jornal de Brasília/Agência UniCeub
Por Cecília Péres, Beatriz Ocke, Esther Santos, Isabella Ribeiro e Nathaly Ferreira

“Quando eu caí e o médico me disse que eu deveria parar com forró por causa do joelho, eu chorei demais. A única coisa na minha vida que eu gosto é dançar forró. E eu danço, viu?”. A forrozeira é a aposentada Janira Gusmão, de 80 anos de idade. Ela frequenta os encontros da Associação Maria da Conceição (ASMAC), no Gama, a cada domingo há 15 anos. 

As músicas e a dança deram novo sentido para ela. Dividida entre os afazeres domésticos e o cuidado com o marido aposentado, ela confessa que a semana inteira gira em torno da expectativa pelo domingo. 

Trocar as paredes de casa pela animação do forró também foi a melhor receita de bem-estar para o aposentado Antônio Costa, de 59 anos. À espera de uma cirurgia para tratar um desgaste no joelho, ele conheceu a associação por indicação de um colega e, há quatro anos, faz do forró seu ponto de encontro.

Além da dança

Embora o tradicional forró de domingo, das 14h às 18h,  seja o principal atrativo da instituição, que completou 35 anos neste mês, existe um ritmo intenso ao longo de toda a semana que atrai pelo menos 200 idosos em diferentes atividades. 

A programação é organizada em áreas como cultura, criatividade, movimento, bem-estar, cidadania e estímulo cognitivo. Assim, a Asmac pretende oferecer espaço de convivência, acolhimento e promoção da qualidade de vida da pessoa idosa em uma grade diversificada diariamente entre os turnos da manhã e da tarde. 

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Janira Gusmão ao lado de sua amiga Nelci das Graças. Foto: Cecília Péres

História

O que começou em 3 de setembro de 1990, com a reunião de apenas três senhoras, cresceu a partir da iniciativa de Maria José Pereira de Rezende, hoje aos 83 anos, e do apoio da comunidade, e se tornou um espaço voltado à socialização, à autonomia e ao bem-estar físico e emocional dos idosos.

A criação da Asmac surgiu da percepção de Maria José sobre a necessidade de reunir idosos em um ambiente de convivência. No primeiro encontro, realizado no Rotary Club, ela levou chá, biscoitos e dominó, esperando receber cerca de 15 pessoas. Apenas três senhoras apareceram. 

Depois de um mês, entretanto, o grupo já reunia aproximadamente 60 participantes. Para a fundadora, o trabalho nasceu como uma missão, mesmo sem experiência anterior na área.

Com o aumento do número de participantes, Maria José passou a buscar um espaço próprio para desenvolver as atividades. Após articulações com a administração e mobilização da comunidade, o galpão onde a associação funciona começou a ser construído com o apoio de comerciantes e moradores. Em 1995, o espaço foi inaugurado e a associação formalizada, recebendo o nome Maria da Conceição em homenagem à mãe da fundadora.

A fundadora e atual presidente, Maria José Pereira Rezende. Foto: arquivo pessoal

Atividades

O atendimento é dividido em diferentes períodos. No período matutino, a associação recebe idosos encaminhados pelo CRAS por meio de convênio com o Governo do Distrito Federal (GDF). Já à tarde, as atividades são abertas à comunidade e mantidas com recursos próprios da associação, gerados principalmente pela arrecadação dos forrós e por doações. A programação diária inclui oficinas como coral, capoterapia, artesanato, além de aulas de dança e ginástica terapêutica.

Oficina de artesanato. Foto: arquivo pessoal

Dança Cigana

A variedade de opções permite que os frequentadores encontrem atividades alinhadas às suas preferências e necessidades físicas. Lucinda das Graças, de 82 anos e frequentadora de longa data, destaca a importância de manter o corpo e a mente em movimento durante a semana. “Eu venho na segunda-feira e quarta-feira para fazer aula de dança cigana”, relata.

Além das oficinas corporais e artísticas, a instituição também promove ações de inclusão digital voltadas para a autonomia dos idosos. De forma integrada à rotina e conforme a demanda, os participantes recebem orientações sobre o uso de celulares, aplicativos, redes sociais e segurança no ambiente virtual.

A atuação da associação também ultrapassa a oferta de atividades recreativas. Segundo a presidente da instituição, Maria José, o espaço se tornou um ponto de orientação e proteção para os idosos, com palestras sobre violência, quedas, medicamentos, alimentação e prevenção de golpes. 

A fundadora destaca ainda a parceria com a rede de assistência social, que permite encaminhamentos e acompanhamento de situações identificadas entre os participantes.

Ação sobre inclusão digital. Foto: arquivo pessoal

Saúde mental

Além das atividades de convivência, a atuação da associação também está relacionada ao cuidado com a saúde mental dos idosos. Maria José recorda que, desde os primeiros anos, percebia mudanças no comportamento dos participantes. Muitos chegavam desconfiados e retraídos, mas, com o passar do tempo, começaram a se envolver nas rodas de conversa, na ginástica, nas atividades recreativas e nos momentos de interação.

Para a fundadora, a transformação pode ser percebida na própria rotina do espaço. “Hoje em dia, se você ver um idoso aqui na ginástica, eles gritam, dançam, sorriem, mexem um com o outro”, relata Maria José ao descrever o ambiente de convivência construído ao longo dos anos.

Manter viva uma entidade comunitária voltada à terceira idade há 35 anos exige fôlego diário e recursos constantes. Mais do que um espaço de lazer e convivência, o tradicional forró de domingo é a principal fonte de sustentabilidade financeira da Asmac. É justamente com os recursos gerados nos finais de semana que a associação consegue custear as demandas de infraestrutura e garantir o funcionamento das atividades gratuitas oferecidas ao longo de toda a semana.

Como explica a fundadora, a rotina de um espaço físico movimentado traz despesas imprevisíveis o tempo todo.A finalidade é essa. Também é o único meio que a gente tem de ter um recurso para as coisas que a instituição precisa de manutenção”.

Supervisão de Luiz Claudio Ferreira

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