Manto sagrado: camisa do Flamengo assinada por jogadores será rifada em prol de projeto social
Um projeto social do Distrito Federal tem mobilizado apoiadores dentro e fora das redes sociais com uma iniciativa que une solidariedade e futebol. O “Lar da Bondade”, criado em 2022, está promovendo a rifa de uma camisa do Flamengo autografada por jogadores do elenco principal, como Pedro, Lucas Paquetá, Giorgian De Arrascaeta, Bruno Henrique e o goleiro Agustín Rossi. O objetivo é arrecadar recursos para a construção da casa de Dona Rosi, que enfrenta um câncer no fêmur.
A campanha surge diante de uma realidade marcada por vulnerabilidade. Além do tratamento de saúde, Dona Rosi vive sem uma estrutura adequada de moradia. A proposta do projeto é garantir um novo espaço para a família, com condições mínimas de segurança. A rifa aparece como alternativa para tornar viável a obra.

De uma necessidade pontual à ação contínua
O “Lar da Bondade” começou a partir de uma demanda simples: um pedido por material de construção. Dona Lourdes, a primeira contemplada do projeto, era assistida por Anderson Azevedo (MC Bockaum), que auxiliava a família há algum tempo. Segundo ele, Dona Lourdes fez um pedido simples, um saco de cimento, que seria utilizado para arrumar o chão da casa, que ainda levantava muita poeira por ser de terra batida.
O pedido foi, de certa forma, um convite para que Anderson conhecesse a casa de Dona Lourdes e percebesse que a necessidade ia além de uma reforma pontual, e que o saco de cimento não seria suficiente. “Quando eu cheguei lá, foi estarrecedor. Não tinha vaso sanitário, não tinha chuveiro”, conta. A partir disso, iniciou uma mobilização para arrecadar materiais e apoio.

Na primeira ação, duas construções foram entregues, beneficiando nove pessoas. Desde então, Anderson seguiu com o projeto, que se estruturou e passou a atuar de forma contínua, com reconstruções em diferentes regiões do entorno do DF. Segundo a organização, dezenas de pessoas já foram beneficiadas ao longo dos últimos quatro anos.
Além do teto
Após a entrega das casas, o acompanhamento das famílias continua. O projeto mantém contato com os beneficiados e segue oferecendo suporte. O instituto conta também com ajuda do conselho tutelar, que auxilia as famílias com crianças e adolescentes. Para Anderson, o trabalho não se encerra com a construção, laços emocionais são criados, e o vínculo vai além da alvenaria. “A gente se envolve pessoalmente. Mantemos contato por WhatsApp e também fazemos visitas periódicas para saber como estão, se estão precisando de algo”, afirma o idealizador.
Para ele, acompanhar antes, durante e após a entrega da casa é importante porque muitas das pessoas contempladas pelo projeto não têm acesso a auxílios do governo e contam com fontes de renda inseguras ou inexistentes. “Muitas dessas pessoas continuam se alimentando única e exclusivamente por meio de doações.”
Histórias que se cruzam
Às vezes, as pessoas estão no lugar certo, na hora certa. Dona Rosi, que está sendo acompanhada pelo projeto, viu sua história se cruzar com a do instituto por meio de outras pessoas. No início do ano passado, ela investigava a causa das dores fortes que sentia recorrentemente na coluna. À base de medicamentos, passou por diversos atendimentos médicos até chegar a um trabalho voluntário de uma igreja, onde foi identificada a razão das dores: câncer no fêmur.

Durante o processo de diagnóstico, ela precisou se afastar do trabalho, o que resultou em sua demissão. Já assistida por um grupo voluntário de uma casa espírita, a situação foi relatada ao instituto, que passou a acompanhar o caso. “Eu sou muito agradecida a Deus por ter colocado ele nas nossas vidas, por ele ter chegado agora, nessa hora tão difícil. Esse projeto tem abençoado e ajudado muita gente”, afirma Rosi.
Anderson reforça que embora a estrutura da casa seja precária, a organização de dona Rosi é evidente, o amor e cuidado são perceptíveis. “A casa é um lar”, ressalta Anderson. A ação espera trazer uma estrutura melhor para a família, mais digna e confortável.
Ação que transforma
A camisa foi doada ao projeto e está sendo rifada de forma online para viabilizar a construção da casa de Dona Rosi. Cada número custa R$ 50 e já está disponível para compra. A data do sorteio ainda não foi definida, a ideia é arrecadar o máximo de recursos para os materiais. O instituto também aceita doações. Mais informações podem ser encontradas no perfil do Instagram @lardabondade e também no perfil do idealizador, @mcbockaum.
“O sentido maior é a transformação da vida das famílias”, conclui o organizador.