Marido relata últimos momentos de enfermeira que morreu durante lua de mel em Portugal
A morte da enfermeira Amanda Marinho Nascimento, de 29 anos, durante a lua de mel em Portugal, foi precedida por cerca de duas horas entre a ingestão de um alimento e o agravamento dos sintomas alérgicos. Em relato sobre os últimos momentos da esposa, Tiago Nascimento contou que o casal almoçava em um restaurante especializado em frutos do mar, na cidade de Leiria, quando Amanda comeu um pedaço de lula empanada.
O episódio ocorreu na quarta-feira (21), por volta das 14h30, no horário local. Amanda sabia desde a infância que tinha alergia a camarão, mas não imaginava que poderia apresentar uma reação a outros frutos do mar. Segundo Tiago, a aparência do alimento levou a enfermeira a acreditar que se tratava de peixe empanado. Ao perceber a textura diferente, ela já havia engolido o pedaço.
“Sem saber exatamente o que estava sendo servido, pegou um pedaço e colocou na boca. Quando sentiu aquela textura borrachuda, percebeu que não era um peixe comum. Só que, naquele momento, ela já tinha engolido, então tentamos não nos desesperar”, relatou o marido.
O casal não tinha antialérgicos disponíveis. Amanda sentiu um leve incômodo na garganta, mas a sensação passou depois que ela bebeu água. Por isso, os dois seguiram com a programação da viagem sem imaginar que o quadro poderia se agravar.
“Seguimos normalmente, sem perceber que aquilo poderia ser o início de uma reação muito mais séria. Mas, em duas horas, tudo mudou. Estávamos saindo de uma livraria quando os sintomas começaram a aparecer, por volta das 16h30 (horário de Portugal)”, contou Tiago.
Na sequência, Amanda apresentou manchas e inchaço na pele, além de ficar empolada e sentir a garganta fechar. Uma equipe de emergência foi acionada e prestou os primeiros atendimentos à enfermeira.
De acordo com o marido, a unidade de saúde que recebeu Amanda inicialmente não dispunha do suporte necessário para o atendimento. Ela foi transferida para o Hospital Universitário de Coimbra, mas não resistiu.
“A ambulância chegou e fez os primeiros socorros, mas, naquela unidade, não tinha o suporte necessário. Ela, então, precisou ser transferida para o Hospital Universitário de Coimbra, um pouco mais distante, e, infelizmente, não resistiu”, disse.
Traslado para o Brasil
Além de lidar com a perda da esposa durante a viagem, Tiago enfrenta as dificuldades para trazer o corpo de Amanda de volta ao Brasil. O casal havia contratado um seguro de viagem para contar com assistência em caso de emergência no exterior.
Segundo o relato, ao entrar em contato com a seguradora para solicitar o traslado, Tiago foi informado de que o serviço funcionava por reembolso. Com isso, ele e a família precisariam arcar antecipadamente com os custos, estimados em R$ 38 mil, para depois solicitar a devolução do valor, conforme as condições previstas no contrato.
Diante da situação, familiares e pessoas próximas organizaram uma campanha de arrecadação para custear o procedimento. O valor necessário já foi arrecadado.
A previsão é que o corpo da enfermeira chegue ao Brasil em cerca de sete dias. O retorno do casal estava programado para esta sexta-feira (23).
Casamento 11 dias antes da morte
Moradores de Ceilândia, no Distrito Federal, Amanda e Tiago se casaram em 10 de outubro. Os dois estavam juntos havia cerca de dez anos e se conheceram na paróquia.
“São 10 anos de história como namorados. Nos conhecemos na paróquia. É muito difícil perdê-la justamente quando íamos começar uma nova história, agora como marido e mulher”, lamentou Tiago.
O marido também destacou a personalidade da enfermeira e a dedicação dela à profissão e à fé católica.
“A Amanda era uma pessoa extraordinária, uma mulher doce, humilde e que sempre se preocupou com todo mundo. Enfermeira, amava a profissão dela e era muito católica. Ela faleceu fazendo o que mais gostava, que era viajar”, afirmou.
Hospital e conselho lamentam morte
Amanda trabalhava na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Mantevida Taguatinga, no Distrito Federal, desde maio de 2025.
Em nota de pesar, o Grupo Mantevida destacou o compromisso da profissional com o atendimento aos pacientes e o acolhimento às famílias.
“Amanda dedicava sua trajetória profissional ao cuidado de pacientes e famílias nos momentos mais delicados, exercendo a enfermagem com compromisso e humanidade. Sua presença e a forma atenciosa com que acolhia aqueles que precisavam de cuidados permanecerão na memória de quem conviveu com ela e de quem recebeu sua assistência”, declarou a instituição.
O grupo também manifestou solidariedade aos familiares, amigos e colegas de trabalho da enfermeira.
O Conselho Regional de Enfermagem do Distrito Federal (Coren-DF) também lamentou a morte de Amanda e prestou solidariedade às pessoas próximas à profissional.
“Neste momento de tristeza, nos solidarizamos com seus familiares, amigos e colegas de trabalho, desejando força e serenidade para enfrentar a dor da despedida”, afirmou o conselho.