Oposição do São Paulo cogita lançar ex-presidente da CBF como candidato
VALENTIN FURLAN
SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS)
Líderes da oposição à gestão de Harry Massis Júnior no São Paulo articulam uma chapa para a eleição do fim do ano: o ex-presidente da CBF Rogério Caboclo para a presidência e Vinícius Pinotti como vice.
CHAPA ARTICULADA
O trabalho envolve coordenadores que fazem oposição ao comando do clube no Conselho Deliberativo.
Ao todo, a aliança detêm cerca de 120 conselheiros dos 250 conselheiros aptos a voto.
À reportagem, fontes ainda revelaram que um nome bem avaliado internamente para a presidência do Conselho é o de Caio Forjaz.
O desenho representa uma mudança de rota em relação ao que vinha sendo discutido até poucos dias atrás. Até então, o nome do empresário Dáurio Speranzini era tratado como principal possibilidade para encabeçar uma candidatura de oposição. O movimento perdeu força, segundo pessoas ouvidas pelo UOL, diante do aumento da resistência ao nome do conselheiro.
Reservadamente, integrantes do grupo afirmam que Speranzini é visto como um quadro preparado para a função, mas reconhecem que a viabilidade política se tornou mais difícil. A avaliação interna é que críticas recorrentes ao empresário, amplificadas nos bastidores do clube, passaram a contaminar parte dos sócios e conselheiros, tornando a construção eleitoral mais complexa.
Nesse contexto, Caboclo passou a ganhar tração como alternativa. Segundo interlocutores, o ex-presidente da CBF tem dado sinalizações positivas e intensificou conversas nos últimos dias com diferentes atores políticos do São Paulo.
Pessoas envolvidas argumentam que Caboclo reúne experiência administrativa e influência entre conselheiros, mas também admitem que o nome ainda precisa de aceitação de algumas lideranças.
EX-PRESIDENTE DA CBF
A eventual escolha de Caboclo também tende a recolocar no centro do debate episódios de sua passagem pela CBF. Ele presidiu a entidade entre 2019 e 2021, até ser afastado do cargo após denúncias de assédio moral e sexual feitas por funcionárias da confederação, o que levou à abertura de procedimentos internos e investigações judiciais.
Caboclo sempre negou irregularidades. Posteriormente, decisões judiciais determinaram o arquivamento ou trancamento dos processos relacionados às acusações, sem condenação do dirigente.
SITUAÇÃO AINDA SEM CANDIDATO
Do lado da situação, o cenário tampouco é tratado como definido. A sucessão no clube permanece aberta e marcada por incertezas.
O atual presidente, Harry Massis Júnior, é visto internamente como potencial candidato, embora tenha afirmado publicamente, no início da gestão, que não pretendia disputar o cargo. Como revelou anteriormente o UOL, a possibilidade passou a ser considerada nos bastidores.
Outro nome citado nos bastidores da situação é o de Adilson Alves, assessor jurídico da gestão e integrante influente do núcleo político do clube. O cenário, porém, ainda é tratado como indefinido, sem consenso sobre qual projeto reunirá apoio suficiente até a eleição.