Pesquisa premiada no DF revela falhas no acompanhamento de pacientes com HIV e risco de tuberculose

Uma pesquisa desenvolvida por estudantes de medicina da Escola Superior de Ciências da Saúde (Escs) ganhou destaque ao revelar fragilidades no acompanhamento de pessoas que vivem com HIV e passam pelo rastreamento da infecção latente por tuberculose no Distrito Federal. O trabalho de Maria Cecilia Caixeta Magalhães e André Rodrigues Diógenes Macedo foi premiado nesta quinta-feira (29) no 32º Congresso de Iniciação Científica da Universidade de Brasília e 23º Congresso de Iniciação Científica do DF.

O estudo analisou 654 exames realizados entre 2023 e 2025 na Policlínica II de Ceilândia, utilizando o IGRA, exame de sangue empregado para identificar a infecção latente por tuberculose. Cerca de 9% dos testes apresentaram resultado positivo. Entre os pacientes para os quais o tratamento preventivo estava indicado, quase 30% não tinham registro de início da terapia, um dos principais alertas encontrados pelos pesquisadores.

A preocupação ganha peso diante dos indicadores de coinfecção entre tuberculose e HIV no Distrito Federal. Segundo os dados apresentados na pesquisa, essa proporção ultrapassa 11% no DF, enquanto a média nacional está em torno de 9%. Pessoas vivendo com HIV apresentam maior risco de desenvolver a forma ativa da tuberculose, o que torna o rastreamento e o acompanhamento posterior etapas importantes da assistência.

Os estudantes também identificaram dificuldades na integração entre sistemas laboratoriais e prontuários eletrônicos, cenário que pode prejudicar a circulação das informações entre o diagnóstico e o cuidado clínico. “Para mim, o mais bonito é que o prêmio reconheceu um trabalho sobre uma tecnologia que acabou de chegar ao SUS, olhando para o que acontece na prática”, afirmou Maria Cecília. Ela destacou ainda uma das vantagens do IGRA em relação ao PPD: enquanto o exame anterior exige que o paciente retorne ao serviço em dois ou três dias para a leitura, o IGRA necessita de apenas uma coleta de sangue.

Orientado pelo médico infectologista e professor Lino Neves da Silveira, o trabalho busca transformar dados do próprio serviço público em ferramenta para melhorar a assistência. Maria Cecília ressalta que os resultados retratam uma unidade de atenção secundária da Regional Oeste de Saúde e não substituem estudos de maior abrangência, mas podem orientar decisões locais. “Fico muito feliz de ver a minha pesquisa ajudando a olhar para o nosso próprio sistema de saúde”, afirmou.

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