PSD-DF deve fechar até domingo apoio a Celina Leão na disputa pelo GDF
Após a impugnação definitiva da candidatura de José Roberto Arruda, o PSD-DF junta os cacos e analisa as possibilidades para o resto da campanha eleitoral. Nesta sexta (25), a cúpula da sigla convocou duas reuniões – uma com a Executiva distrital, outra com candidaturas ao Legislativo federal e candango para definir os rumos da legenda no cenário do DF. Arruda foi barrado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) ainda na quinta (24), e já anunciou que não apresentará recurso ao Supremo Tribunal Federal (STF), além de indicar que deve se aposentar das urnas após nova derrota.
Ao JBr., o presidente local do partido, Paulo Octávio, confirmou a convocação das reuniões, mas indicou que apenas a Executiva se reuniu nesta sexta. “Domingo é o prazo”, determinou o chefe da sigla no DF. Após se esquivar de respostas mais concretas, Octávio não negou o provável caminho do partido: “a tendência é de apoio a Celina”, comentou, apesar de acrescentar que “tudo está sendo conduzido de forma democrática, ouvindo as opiniões divergentes”.
Com Arruda, o PSD mimetizou em si a oposição ao governo de Celina e de Ibaneis Rocha (MDB), antecessor e cabeça de chapa da atual chefe do Buriti em 2022. O ex-governador insistia nas críticas à gestão do Banco de Brasília (BRB), da privatização da CEB, e dos índices de Saúde e Educação na capital federal. Agora, o PSD, presidido em nível nacional por Gilberto Kassab – candidato a vice na chapa pura com Ronaldo Caiado -, foca-se em eleger uma bancada numerosa tanto no parlamento distrital, quanto no nacional, e, no DF, Celina seria a principal ferramenta para esse objetivo.
Possíveis dissidências
O partido conta com oito candidaturas à Câmara Federal nesta eleição. A principal delas – pela robustez e recall do nome – é a de Maria Abadia, ex-governadora do Distrito Federal e, assim como Arruda, uma das herdeiras do legado de Joaquim Roriz. Questionada pelo Jornal de Brasília, a candidata foi firme na posição. “Eu não apoiarei a Celina. Se fecharem questão nesse ponto, vou concorrer como independente”, comentou a ex-governadora.
Ela se disse também “muito abalada” com o impedimento à candidatura de José Roberto Arruda ao GDF. O apoio, inclusive, foi costurado pelo ex-governador justamente para causar impacto: Abadia e Arruda foram adversários em 2006, na disputa pelo legado de Roriz. A junção foi vista no eleitorado como uma união “entre dois inimigos pelo bem do DF”, nas palavras de um membro do PSD a par das negociações que formalizaram a chapa. Abadia também se queixa da “falta de critérios na distribuição de recursos”, já que ela, ex-governadora, recebeu R$ 500 mil, verba considerada pouca para uma disputa ao Legislativo federal.
Também candidata à Câmara, Carol Fleury é o elo que unia as candidaturas de Arruda, ao GDF, e de Ronaldo Caiado, ao Planalto. Secretária do Entorno no governo do pessedista em Goiás, ela percorreu as ruas com Arruda nas inúmeras carreatas que o ex-governador promoveu na sua tentativa de garantir a volta ao Palácio do Buriti, e bateu o pé na posição de não se alinhar ao atual governo. “Não consigo, não tem jeito. Eu sou Arruda, sou esse elo, vim ser candidata pela relação entre Arruda e Caiado”, cravou.
Após a reunião do PSD, alguns candidatos à CLDF foram à casa de Arruda, na Asa Sul, para fincar bandeira na lealdade ao ex-governador. Conforme apurou o JBr., o agora ex-candidato gravou vídeos com pedidos de votos nas candidaturas do partido e se mostrou disponível para percorrer as ruas com os postulantes, afim de garantir os votos que, pela impugnação, já não podem mais ser computados para si.
Contradições
O Jornal de Brasília apurou que a reunião envolvendo candidatos a distritais já aconteceu e contou com a presença dos 25 postulantes à Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF). Conforme os relatos, a proposta de apoio à atual governadora recebeu 23 votos contrários, além de registrar duas abstenções. Paulo Octávio, entretanto, rejeita a narrativa. “Não confirmo, porque sei do resultado dessa reunião. Os distritais que quiserem se manter independentes têm direito a isso”, ponderou. “Mas, dos oito candidatos a federais, seis seguirão o partido”, garantiu, já com a exceção de Abadia e Fleury.
Octávio também foi questionado sobre a correlação de forças no cenário nacional, já que o PSD tem candidatura própria e Celina apoia abertamente a campanha de Flávio Bolsonaro (PL). “Nós não estamos discutindo Flávio, estamos discutindo apoio a Celina. O pessoal nosso vota no Caiado, o partido continua alinhado com o Caiado”, informou, além de reforçar que os passos da Executiva distrital são acompanhados pela cúpula nacional da sigla.