Regiões no DF lideram ranking nacional de moradia vertical
A moradia vertical no Brasil tem endereço certo, e está concentrada na capital federal. Dados do Censo Demográfico de 2022, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) demonstraram que o Plano Piloto lidera o ranking de moradores em apartamentos, com 173.252 residentes. O terceiro lugar também é ocupado por uma região do Distrito Federal. Águas Claras concentra 127.025 habitantes nesse tipo de imóvel.
A tendência da verticalização é percebida no Distrito Federal nos últimos anos. Ainda de acordo com o IBGE, a quantidade de moradores em apartamentos cresceu exponencialmente nas últimas décadas. Em 2000, o índice atingia 17,6%, subiu para 20,3% em 2010 e alcançou 28,7% em 2022. É o maior percentual de moradores em apartamentos entre todas as Unidades da Federação.
O tipo de domicílio predominante no DF ainda são as casas, abrigando 66,4% da população, o que equivale a 1,8 milhão de pessoas habitantes. No entanto, a proporção de moradores desse tipo de moradia vem caindo progressivamente ao longo dos anos. Saiu de 78,9% em 2000 para 4,7% em 2010 e chegou a 66,4% em 2022.
Para o especialista em mercado imobiliário Daniel Claudino, o impulsionamento pela busca nas moradias verticais está relacionado aos serviços oferecidos naquela localidade.
“O tombamento limita a altura no Plano Piloto, e a verticalização se concentrou onde a legislação permitiu, como Águas Claras. A oferta de apartamentos perto de serviços urbanos cresceu nessas regiões, e parte da demanda pode estar sendo conduzida pela oferta, não pelo desejo. Pesam também o preço e o financiamento”, explica.
Moradora de apartamento há 28 anos, a programadora Giulia Dickel afirma que opta pela moradia vertical pela praticidade. “Eu moro em apartamento a vida inteira, quando casei optamos por apartamento em condomínio fechado pela segurança, pelo tamanho e pela praticidade. As pessoas que eu conheço que moram em casa tem muito gasto com manutenção como jardim e piscina. E é um trabalho que nós não temos no apartamento. Além de nos sentirmos muito mais seguros e a vista de cima ser linda”, diz.
A baixa manutenção e o maior contato com vizinhos também é um fator essencial para Giulia. “Sem contar que em Águas Claras temos tudo perto, conseguimos fazer praticamente tudo a pé, mercado, farmácia, shopping. É uma facilidade que meu marido morando em casa não tinha antes de virmos pra cá”, declara.
A verticalização do Plano Piloto já fazia parte do projeto inicial de uma capital federal pensada por Lúcio Costa, inspirado pelos modelos de moradia na França, sobretudo Paris, e influenciado pela arquitetura moderna, explica o professor de geografia da Universidade de Brasília (UnB) Fernando Sobrinho.
“Brasília tem uma escala residencial que versa a produção de lugares para moradia, a produção de habitações. E, nesta proposta, seriam edifícios verticalizados de no máximo seis pavimentos sobre pilotis. Temos um projeto inicial onde a proposta de habitação passa pelo edifício verticalizado. E isso, tradicionalmente aliado ao fato do Plano Piloto sediar os poderes da República, todo o aparato público. Isso fez com que houvesse uma uma densificação da ocupação”, sustenta.
Ao olhar para Águas Claras, o processo se repete. O projeto, pensado anos depois, na década de 1980, também previa a verticalização da área, balizada pela proposta da criação do metrô em ligar as grandes regiões administrativas ao centro de Brasília.
“O trajeto do metrô passaria pela área que é hoje Águas Claras, que na época era a região administrativa de Taguatinga. E esta área onde é hoje Águas Claras era uma área rural. Então, a proposta foi criar uma cidade verticalizada, densa”, analisa Sobrinho.
Essa tendência de migração dos habitantes para moradias verticais também é observada em outras áreas da capital federal. Segundo Sobrinho, há um processo intenso de verticalização nas regiões de Taguatinga e Guará, por exemplo.
Taguatinga ocupa a terceira posição das regiões administrativas com residentes de apartamento. De acordo com o IBGE, mais de 77 mil pessoas optam por moradias verticais. O Guará aparece logo atrás, com pouco mais de 63 mil habitantes.
“Nós temos também um processo intenso de verticalização em outras regiões administrativas, Taguatinga, Ceilândia, Samambaia. E nós vamos ter, talvez, algumas RAs que ainda preservam um skyline, uma linha do horizonte um pouco mais horizontal. Planaltina, Brazlândia, até mesmo o Sobradinho tem alguns edifícios, mas não são de gabaritos tão altos. A verticalização está presente em muitas regiões administrativas do DF”, acrescenta Sobrinho.