Samir Xaud descobre a maldição da CBF: quando o presidente vira alvo
Enquanto a Seleção Brasileira tenta encontrar seu melhor futebol dentro de campo na Copa do Mundo, a maior turbulência da Confederação Brasileira de Futebol acontece longe dos gramados. O presidente Samir Xaud passou a ocupar uma posição que seus antecessores conhecem muito bem: a de homem marcado dentro da própria CBF.
A recente denúncia divulgada pelo portal Léo Dias, envolvendo gastos atribuídos ao dirigente, tem um significado que vai além do conteúdo da acusação. Nos bastidores do futebol, a leitura predominante é que dificilmente informações dessa natureza chegam ao público sem a participação de pessoas que circulam no núcleo de poder da entidade. Em outras palavras, o fogo parece ter vindo de dentro.
A situação lembra um roteiro que se repete há décadas. A cadeira mais importante do futebol brasileiro também costuma ser uma das mais traiçoeiras. Foi assim com Rogério Caboclo. Foi assim com Ednaldo Rodrigues. E foi assim com diversos dirigentes que, ao assumirem o comando da CBF, descobriram que o cargo vem acompanhado de um alvo permanente nas costas.
O desgaste de Xaud não começou com a denúncia. Desde a sua eleição, construída principalmente com apoio de federações e sem respaldo integral dos grupos mais influentes do futebol nacional, o dirigente convive com resistências internas. A pressão aumentou durante a Copa do Mundo e ganhou novos capítulos com decisões que provocaram questionamentos nos bastidores.
Entre elas, a renovação antecipada do contrato de Carlo Ancelotti até 2030, anunciada antes mesmo do encerramento do Mundial. A medida foi apresentada como sinal de estabilidade, mas também foi interpretada por críticos como uma tentativa de blindar o projeto esportivo da Seleção em meio ao ambiente de incerteza política.
Outro foco de desgaste surgiu em torno da convocação de Neymar. O debate sobre critérios técnicos rapidamente ganhou contornos políticos após declarações de Francisco Schertel Mendes, filho do ministro Gilmar Mendes, que afirmou ter participado de articulações relacionadas à presença do atacante na lista da Seleção. A repercussão reacendeu questionamentos sobre a influência de personagens externos em decisões que deveriam estar restritas ao departamento de futebol.
O resultado é uma combinação perigosa para qualquer presidente da CBF: denúncias públicas, vazamentos internos, disputas de poder e questionamentos sobre decisões estratégicas. É exatamente o ambiente que precedeu a queda de outros dirigentes da entidade nos últimos anos.
Em plena Copa do Mundo, Samir Xaud talvez esteja aprendendo a principal lição da história recente da CBF: no comando do futebol brasileiro, os adversários nem sempre estão do outro lado do campo. Muitas vezes, estão sentados na mesma mesa.