Tarde de blocos no Bixiga valoriza músicas brasileiras em São Paulo
O desfile de blocos no circuito do Bixiga, na capital paulista, juntou alguns milhares de foliões animados em meia dúzia de blocos na tarde deste sábado (12).

Mais modesto dentre os circuitos do centro paulistano e um dos mais tradicionais, guarda em suas vielas e escadões entre a Praça Dom Orione e a Rua Santo Antônio boa parte da memória do samba paulista.
“Escolhi por essa mistura, porque é um bloco bom, tranquilo e super agitado”, contou Cristiane Curaça, estudante e criadora de conteúdo digital de São Carlos (SP), que passa o primeiro carnaval acompanhando o circuito e terceiro curtindo a festa na capital.
A região é lar de parte da comunidade negra da cidade, berço do Vai-Vai, uma das escolas com maior tradição na elite da liga paulistana, e espaço de resistência à gentrificação do centro antigo, com casarões e predinhos que resistem aos grandes empreendimentos.
Não à toa, teve uma tarde de festa acolhedora e animada. Ainda na Rua Santo Antônio as amigas Ana Clara Bastos, atriz, e Alana Melo, estudante universitária, da cidade de Americana (SP), dançavam fantasiadas de diabas.
“Tá um inferninho bom, bem acolhedor aqui. Pouco hétero, os que tem estão respeitando, sem assédio e aceitando o não”, contou Ana Clara, frequentadora habitual da folia na cidade.
Em geral considerou a organização boa, mas teve uma experiência ruim no bloco de Calvin Harris, na semana passada. “Aquele estava um inferno ruim, a polícia dava mais medo que segurança pra gente, bem diferente de hoje”, completou Alana. As amigas ainda irão a blocos na segunda, por decidir qual, e ao Agora Vai, também neste circuito, na terça-feira.
A presença da polícia e da Guarda Municipal foi uma constante, inclusive com agentes portando escopetas.
Além dos carros de som, com destaque para a banda ao vivo no JeTreme Mon Amour, a multidão aproveitou o tempo firme e ameno, muitos parando nas cantinas, bares e adegas da Treze de Maio, endereço tradicional da boemia do centro da capital paulista.
Pela primeira vez no carnaval da cidade, o turista Kim Maruyama se surpreendeu com a facilidade para encontrar os blocos e aproveitar os momentos da festa. O técnico de geração veio de São José do Rio Preto e achou o carnaval maravilhoso.
“É muito diferente do que esperávamos, pelo que vinha falando a mídia. Tranquilo, animado e gostoso, vou aproveitar mais dias”.
Só pesou contra ele e os amigos a indecisão. “Eram muitas opções, demoramos para decidir, tomara que sejamos mais rápidos nos próximos dias”, disse em meio a sorrisos.
Cheia ao longo da tarde, acima e abaixo da Igreja de Nossa Senhora Achiropita, a 13 de Maio recebeu bem os foliões, não apenas nos comércios, abertos e animados, mas também nas sacadas e janelas, onde os moradores, principalmente as crianças, saudavam a alegria dos brincantes.
Sem surpresas, a festa acolheu jovens e não tão jovens assim e trouxe ritmos brasileiros como funk, MPB, músicas de Tim Maia e Lulu Santos com uma pegada mais eletrônica e até mesmo o rap dos Racionais MCs. Os blocos em geral deixaram pouco lixo em seu caminho, graças também à presença constante de trabalhadores de reciclagem.
Um destaque positivo ficou também para a boa distância entre os blocos, com boa divisão do tempo de chegada na Praça Dom Orione, onde dispersaram. A disponibilidade de banheiros públicos foi razoável no circuito, com presença de cabines tanto na parte de baixo quanto na dispersão, embora não suficiente para dar conta da demanda dos pontos críticos, com algumas pessoas fazendo de ruas como a Delegado Everton um banheiro a céu aberto.