Trump diz acompanhar de perto eleição no Brasil às vésperas do 1º turno
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quinta-feira (1) que acompanha “muito de perto” as eleições presidenciais do Brasil.
A declaração foi dada a jornalistas na saída da Casa Branca, em Washington, três dias antes do primeiro turno, marcado para domingo (4).
Ao comentar o processo eleitoral brasileiro, Trump classificou o pleito como “muito importante” e fez elogios ao país e à população.
O presidente americano, porém, não mencionou nenhum dos candidatos nem declarou apoio a uma candidatura específica.
“O Brasil é um país muito importante. É um ótimo país. As pessoas do Brasil são fantásticas. É uma eleição muito importante”, afirmou Trump.
A manifestação ocorre em um momento de atenção ampliada dos Estados Unidos sobre a política brasileira.
A eleição de 2026 coloca frente a frente, entre os principais nomes da disputa, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que busca um novo mandato, e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro.
A relação entre o governo Trump e setores da direita brasileira ganhou destaque ao longo do ano.
Em maio, Flávio Bolsonaro foi recebido pelo presidente americano no Salão Oval da Casa Branca.
O encontro ocorreu em meio às discussões sobre as relações entre os dois países e às críticas de Trump ao processo judicial envolvendo Jair Bolsonaro.
Trump também se manifestou publicamente contra a condenação do ex-presidente brasileiro.
O republicano classificou o processo como uma perseguição política e passou a cobrar mudanças na condução do caso.
A postura americana contribuiu para aumentar a tensão diplomática entre Washington e Brasília.
No campo econômico, a relação bilateral também passou por novos atritos.
O governo dos Estados Unidos adotou tarifas adicionais sobre produtos brasileiros, em uma medida que Washington apresentou como relacionada a seus interesses comerciais.
O governo brasileiro, por outro lado, atribuiu parte das medidas a questões políticas envolvendo o processo contra Jair Bolsonaro.
A proximidade entre Trump e integrantes da família Bolsonaro também aparece nas discussões sobre o cenário eleitoral brasileiro.
Apesar disso, a declaração feita nesta quinta-feira não trouxe uma manifestação explícita de apoio a Flávio Bolsonaro ou a qualquer outro candidato.
A fala ocorre ainda depois de o governo brasileiro demonstrar preocupação com uma eventual participação dos Estados Unidos no processo eleitoral.
Em setembro, Lula afirmou que havia pedido diretamente a Trump que os Estados Unidos não interferissem nas eleições brasileiras.
Segundo o presidente brasileiro, a decisão sobre os rumos do país deveria caber aos eleitores brasileiros.
A possibilidade de participação mais direta de integrantes do governo americano no acompanhamento do processo eleitoral já havia provocado discussões entre Brasília e Washington.
Em julho, o Itamaraty negou vistos a dois funcionários do Departamento de Estado que pretendiam viajar ao Brasil.
Segundo informações divulgadas à época, a viagem estava relacionada ao acompanhamento do processo eleitoral.
O TSE informou que sua área internacional havia sido procurada pela Embaixada dos Estados Unidos, mas que uma reunião não chegou a ser marcada naquele momento.
Nos Estados Unidos, parlamentares democratas também passaram a questionar a atuação da administração Trump em relação à eleição brasileira.
Nesta semana, um grupo de congressistas enviou uma carta ao secretário de Estado, Marco Rubio, cobrando garantias de que Washington não buscaria influenciar o resultado do pleito.
As acusações foram apresentadas pelos próprios parlamentares e não constituem, por si só, comprovação de interferência eleitoral.
A declaração de Trump nesta quinta-feira, portanto, ocorre em meio a um cenário de forte atenção internacional sobre a eleição brasileira.
O presidente americano limitou-se a destacar a importância do Brasil e do pleito, sem indicar preferência entre os concorrentes.
O primeiro turno das eleições está marcado para 4 de outubro.
Caso nenhum candidato alcance a maioria necessária dos votos válidos, haverá segundo turno em 25 de outubro.