Ex-reitora da UnB Márcia Abrahão defende financiamento contínuo para a ciência
Ex-reitora da Universidade de Brasília (UnB) por dois mandatos (2016-2024) e atual candidata a deputada federal, a professora e geóloga Márcia Abrahão (PT) participou, nesta quinta-feira (17), do JBr Entrevista. Na sabatina, a docente relembrou sua trajetória na expansão do ensino superior na capital federal, defendeu as políticas de cotas e assistência estudantil, e apresentou suas propostas voltadas para o fortalecimento da educação básica, incentivo à ciência e apoio às mulheres.
Márcia lembrou do processo de descentralização da universidade iniciado em 2008, quando atuava como decana de Graduação. “Hoje eu vejo como foi bonito ter feito essa expansão: Ceilândia são cursos da área de saúde totalmente integrados à cidade, Gama cursos da área de engenharia também integrados (…) e Planaltina é uma área mais interdisciplinar”, afirmou.
Ao avaliar sua gestão à frente da reitoria, Márcia destacou que o período exigiu resiliência diante de restrições orçamentárias. “Num momento de muita crise, muitos cortes orçamentários, principalmente no governo Bolsonaro, nós resistimos e eu fiz várias políticas justamente mostrando a resistência. A UnB melhorou nos rankings nacionais e internacionais”, declarou. Entre as ações do período, ela mencionou programas de incentivo à presença feminina nas exatas, a ampliação de cotas para indígenas e a criação do “Vestibular 60+”.
Defesa da universidade pública
Questionada sobre o papel social da universidade pública e o impacto das políticas de ação afirmativa, Márcia rebateu desinformações sobre as instituições federais e ressaltou que “a universidade é o lugar do conhecimento, da crítica e do convívio entre pessoas de diferentes níveis e pensamentos”.
A candidata ressaltou o caráter inclusivo do sistema de cotas implementado nas últimas décadas. “Tem uma falácia de que a universidade pública é lugar dos ricos. Não é verdade. Depois das cotas, os dados mostram como nós trouxemos o filho do trabalhador e o trabalhador para a universidade.”
Sobre a importância da assistência aos estudantes, detalhou os avanços na recomposição dos valores: “No terceiro governo Lula, a partir de 2023, eu consegui aumentar o valor das bolsas que, há dez anos, não aumentavam. Então, as bolsas saíram para alunos de graduação de R$ 400 para R$ 700. E a gente conseguiu reduzir a evasão.”
Propostas
No campo das propostas legislativas, a ex-reitora enfatizou a necessidade de preservação do Fundo Constitucional do DF para garantir investimentos na segurança, saúde e educação. Ela também criticou os resultados recentes do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) no Distrito Federal e defendeu a expansão do ensino em tempo integral.
“A gente precisa de fato investir na qualidade com melhores salários para os professores, carreira dos professores aqui do DF, que não está indo bem. E a gente vê agora o resultado do Ideb (…) O DF, que tem muito dinheiro, ficou em último lugar no Brasil”, pontuou. Para reverter o quadro, defendeu uma rotina escolar mais dinâmica: “A escola precisa de ser um lugar que motive, que a criança saia de lá utilizando toda a sua criatividade. (…) Tem que ter cultura, tem que ter arte, tem que ter esporte”.
Ciência e tecnologia
Na reta final do programa, a candidata colocou a ciência e a tecnologia como pilares de sua plataforma, defendendo a fixação de pisos de investimento nacional para o setor. “Precisamos de um financiamento permanente para a educação, ciência e tecnologia no Brasil. (…) A China, hoje, investe 2,6% do PIB em ciência. O Brasil é 1,2%. Então tem que ter investimento permanente, não dá para ter sobressalto”, argumentou.
No âmbito dos direitos das mulheres, Márcia Abrahão defendeu políticas públicas voltadas à qualificação profissional e independência financeira como mecanismos de combate à violência doméstica. “As mulheres não podem ficar dependendo dos homens e dos seus companheiros, porque elas não conseguem sair dessa situação de violência. (…) Precisamos qualificar as mulheres, precisamos ter um trabalho nas escolas e isso é fundamental.”