Netanyahu acusa nova líder do Irã de tentar desenvolver bomba nuclear
O primeiro-ministro israelense afirmou que o regime iraniano continua representando uma ameaça à segurança de Israel e ordenou que forças militares e serviços de inteligência atuem para derrubá-lo.
O premiê fez as declarações nesta quarta-feira (21), durante uma cerimônia de formatura de oficiais das Forças de Defesa de Israel (FDI).
Na ocasião, afirmou que o governo iraniano não teria abandonado suas ambições nucleares, apesar dos ataques realizados contra o país ao longo do conflito iniciado em fevereiro.
Segundo Netanyahu, Mojtaba Khamenei, atual líder supremo do Irã, estaria seguindo a estratégia de seu pai, Ali Khamenei, que morreu durante os primeiros ataques conduzidos por Israel e pelos Estados Unidos.
O premiê acusou a nova liderança iraniana de retomar os esforços para desenvolver uma bomba nuclear.
Netanyahu também declarou que o regime iraniano ainda não teria aprendido com as consequências da guerra.
Para o primeiro-ministro, a continuidade do programa nuclear representa um risco estratégico que não pode ser eliminado apenas com medidas temporárias.
Diante desse cenário, o chefe do governo israelense afirmou ter determinado que as Forças de Defesa de Israel, o Mossad, serviço de inteligência externa, e outros órgãos de segurança trabalhem para derrubar o regime iraniano.
A declaração representa um endurecimento da posição de Israel, que passou a tratar a mudança de governo em Teerã como um objetivo declarado.
O ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, também elevou o tom contra Teerã.
Durante uma cerimônia militar, afirmou que o Irã enfrentaria consequências severas caso atacasse o território israelense.
Katz argumentou que o enfraquecimento do regime iraniano não elimina o risco de ações extremas contra Israel.
A escalada das declarações ocorre em meio à possibilidade de novos ataques militares.
Segundo reportagem do Financial Times publicada nesta quarta-feira, Netanyahu havia preparado uma ofensiva de maior escala contra o Irã para o início de outubro, mas o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, teria se oposto à retomada dos bombardeios naquele momento.
O plano, segundo o jornal, previa ataques a instalações nucleares, alvos ligados ao regime e estruturas de infraestrutura.
Trump e Netanyahu mantêm uma aliança estratégica diante do governo iraniano, embora existam divergências sobre o momento de uma eventual nova operação militar.
O presidente norte-americano declarou publicamente que não pretendia retomar as hostilidades antes das eleições legislativas dos Estados Unidos, marcadas para 3 de novembro.
Até o momento, as acusações de Netanyahu sobre a retomada do desenvolvimento de armas nucleares pelo Irã não devem ser confundidas com uma confirmação independente de que o país tenha produzido uma nova bomba.
O governo israelense sustenta que o programa nuclear iraniano continua sendo uma ameaça, enquanto Teerã afirma que suas atividades nucleares têm finalidade civil.