Trump diz que EUA têm ‘controle total’ do Estreito de Ormuz

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quarta-feira (12) que os norte-americanos têm “controle total” sobre o Estreito de Ormuz e indicou que Washington pretende manter a posição.

A declaração foi publicada pelo republicano em sua rede social, em meio à continuidade das tensões militares com o Irã e à paralisação das negociações entre os dois países.

Trump atribuiu o domínio da região ao bloqueio naval mantido pelos Estados Unidos, descrito por ele como uma espécie de “muro de aço”.

Segundo o presidente, o Irã não teria condições militares ou financeiras para alterar o cenário estabelecido pelas forças norte-americanas.

O Estreito de Ormuz é uma das principais passagens marítimas do planeta para o transporte de petróleo e outros produtos energéticos.

Localizado entre o Irã e Omã, conecta o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e ao Mar Arábico.

Qualquer interrupção prolongada no tráfego da região tem potencial para afetar o abastecimento internacional e os preços da energia.

A declaração de Trump ocorre enquanto a passagem permanece severamente comprometida.

O tráfego marítimo voltou a sofrer restrições depois que as negociações entre Washington e Teerã perderam força.

Um entendimento firmado anteriormente previa a retomada integral da circulação pelo estreito, mas a situação voltou a se deteriorar com o agravamento do confronto.

O governo iraniano, por sua vez, contesta a versão apresentada pelo presidente americano.

Teerã afirma que o estreito continua fechado e rejeita a afirmação de que os Estados Unidos tenham controle total da passagem.

A divergência evidencia a disputa entre os dois países também no campo das declarações públicas sobre a situação militar na região.

A crise já provoca efeitos no mercado internacional de energia.

A Agência Internacional de Energia revisou nesta quarta-feira sua projeção para a demanda mundial por petróleo em 2026 e passou a estimar uma redução anual de 1,6 milhão de barris por dia, acima da queda de 1 milhão de barris projetada anteriormente.

Nos últimos dias, a tensão também atingiu embarcações que tentaram atravessar a área sob bloqueio. Na terça-feira (11), forças norte-americanas lançaram dois mísseis contra o navio panamenho M/V Vela Nova, próximo à costa do Paquistão, sob a alegação de que a embarcação atravessava ilegalmente o bloqueio em direção ao Irã.

No mesmo período, rebeldes houthis apoiados por Teerã atacaram o navio egípcio Tihamah, no Mar Vermelho, deixando quatro marinheiros mortos.

A disputa pelo Estreito de Ormuz se tornou um dos principais pontos de pressão no confronto entre Estados Unidos e Irã.

Para Washington, garantir a passagem marítima representa um instrumento estratégico diante das restrições impostas à circulação de embarcações.

Para Teerã, o controle da região permanece associado à sua capacidade de pressionar os adversários e negociar uma saída para o conflito.

Trump, entretanto, sustenta que a capacidade iraniana de reagir ao bloqueio é limitada.

Ao afirmar que os Estados Unidos manterão o controle da passagem, o presidente americano sinaliza que a estratégia de pressão sobre o regime iraniano continuará enquanto não houver uma solução para o impasse.

A declaração também ocorre em um momento de incerteza diplomática.

As conversas entre Washington e Teerã permanecem sem avanço suficiente para garantir a reabertura completa da rota marítima, enquanto os dois governos continuam trocando acusações e mensagens sobre as condições necessárias para uma eventual retomada das negociações.

O Estreito de Ormuz permanece, assim, como um dos principais focos da crise.

Enquanto os Estados Unidos afirmam ter consolidado sua posição militar na passagem, o Irã nega que Washington detenha controle absoluto sobre a região.

O impasse mantém sob pressão uma das rotas mais importantes para o comércio mundial de energia.

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